Arquivado em Janeiro, 2008

Lei do Tabaco – Fica a saber o que irá mudar agora em 2008

Tabaco Janeiro 10th, 2008

 

A Lei 37/2007 de 14 de Agosto aprovou as normas para a protecção dos cidadãos no que diz respeito à exposição involuntária ao fumo do tabaco, bem como as medidas de redução da sua procura e a cessação do seu consumo. As regras são apertadas para fumadores e estabelecimentos mas permitem algumas excepções. No entanto todos têm o direito de exigir o cumprimento da Lei.

É permitido fumar:

1. Nas áreas ao ar livre;

2. Nas áreas de serviço e postos de abastecimento de combustiveis ao ar livre, excepto nas zonas onde se realiza o abastecimento de veículos;

3. Nas áreas descobertas dos barcos afectos a carreiras marítimas ou fluviais

Sinalização e requisitos:

As áreas onde é permitido fumar deverão estar sinalizadas pelas entidades competentes, mediante a afixação de um dístico com fundo azul:

Estes espaços, destinados apenas ao acto de fumar, deverão estar fisicamente separados das instalações onde é proibido fumar;

Deverão estar equipados com dispositivos de ventilação directa para o exterior que proteja dos efeitos do fumo os não fumadores.

Os sistemas de extracção de fumo custam em média dois mil euros.

É proibido fumar:

1. Nos locais onde estejam instalados orgãos de soberania, serviços e organismos da Administração Pública e pessoas colectivas públicas;

2. Nos locais de trabalho e nos locais de atendimento directo ao público;

3. Nos hospitais, clínicas, centros e casas de saúde, consultórios médicos, postos de socorro e outros similares, laboratórios, farmácias e locais onde se dispensem medicamentos não sujeitos a receita médica;

4. Nos lares e outras instituições que acolham pessoas idosas, ou com deficiência ou incapacidade, bem como nos infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias destinados a menores de 18 anos;

5. Nos centros de formação profissional e estabelecimentos de ensino, independentemente da idade dos alunos e graus de escolaridade, incluindo salas de aula, de estudo, de professores e reuniões, bibliotecas, ginásios, átrios e corredores, bares restaurantes, cantinas refeitórios e espaços de recreio;

6. Nos museus, colecções visitáveis e locais onde se guardem bens culturais classificados, nos centros culturais, nos arquivos e nas bibliotecas, nas salas de conferência, de leitura e de exposição;

7. Nas salas e recintos de espectáculos bem como noutros locais destinados à difusão das artes e do espectáculo, incluindo antecâmaras, acessos e áreas contíguas;

8. Nos recintos de diversão e recintos destinados a espectáculos de natureza não artística bem como nos recintos das feiras e exposições ;

9. Nas zonas fechadas das instalações desportivas;

10. Nas grandes superficies comerciais e nos estabelecimentos comercias de venda ao público;

11. Nos estabelecimentos hoteleiros e outros empreendimentos turísticos onde sejam prestados serviços de alojamento;

12. Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou espaços destinados a dança;

13. Nas cantinas, refeitórios e bares de entidades públicas e privadas destinadas ao respectivo uso pessoal;

14. Nas áreas de serviço e postos de abastecimento de combustiveis;

15. Nos aeroportos, estações ferroviárias, estações rodoviárias de passageiros, nas gares marítimas e fluviais e nas instalações do metropolitano, desginadamente nas estações terminais ou intermédias, em todos os seus acessos, estabelecimentos ou instalações contíguas;

16. Nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, suburbanos e interurbanos de passageiros, bem como nos transportes rodoviários, ferroviários, aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer;

17. Nos táxis, ambulâncias, veículos de transporte de doentes, teleféricos, elevadores e ascensores;

18. Nos parques de estacionamento coberto;

19. Nas cabinas telefónicas fechadas;

20. Nos recintos fechados das redes de levantamento automático de dinheiro;

21. Em qualquer outro lugar onde, por determinação da gerência ou de outra legislação aplicável, designadamente em matéria de prevenção de riscos ocupacionais, se proíba fumar.

Sinalização e requisitos:

A interdição ou condicionamento de fumar deverá ser assinalada pelas entidades competentes, através a afixação de distícos com fundo vermelho que contenham o montante da coima máxima aplicável aos fumadores que violem a proibição:

Fonte: http://www.dgs.pt/ (Direcção Geral de Saúde)

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Hábitos de consumo no ensino superior

Geral Janeiro 9th, 2008

As drogas dos estudantes
 Os números são preocupantes. Quase um terço dos estudantes do ensino superior já experimentaram substâncias ilícitas, de onde se destaca o haxixe, cocaína, heroína, LSD e drogas injectáveis. A Guarda, a acreditar num estudo sobre os hábitos de consumo junto da população estudantil, parece ser um pequeno oásis.

Quase um terço dos estudantes do Ensino Superior já experimentaram haxixe, cocaína, heroína, LSD e drogas injectáveis ou outras substâncias. Esta é a conclusão do estudo “Consumo de substâncias lícitas e ilícitas em estudantes do ensino superior”, encomendado pelo Instituto Português para a Prevenção da Toxicodependência, realizado em 1998 junto de 6792 alunos de mais de cem instituições do ensino superior público e privado, civil e militar, do continente e regiões autónomas, e que o “Público” deu conta na edição da passada Quinta-feira. Nos cinco quadros apresentados no estudos, e que dizem respeito à percentagem, por distritos, de estudantes que já consumiram drogas, a Guarda á apenas referida no consumo de haxixe, com uma percentagem de 20 por cento, aparecendo em penúltimo lugar da lista, constituída por vinte distritos e encabeçada por Setúbal e Évora com quase 40 por cento. Para Cardoso Ferreira, responsável pelo Centro de Atendimento de Toxicopendentes, o estudo merece-lhe «alguma confiança» apesar de não o ter lido em detalhe. «A única coisa que posso dizer é que conheço o médico responsável pelo estudo, Dr. Jorge Torgal, e tenho muita consideração pela qualidade do trabalho que ele tem feito anteriormente», justifica. No entanto, refere não saber como valorizá-lo já que desconhece, em pormenor, as condições em que o mesmo foi realizado. «Em relação ao ecstasy, já tínhamos a convicção de que esses consumos são muito mais expressivos em Viseu e Coimbra que na Guarda, por parte dos estudantes universitários.

Falta de informação

No que diz respeito ao não aparecimento de taxas expressivas, por exemplo, no consumo de heroína e de cocaína, que são drogas que dão fortes dependências, normalmente tenho relacionado com o facto de esses consumos serem dificilmente compatíveis com a pessoa estar a frequentar activamente um curso superior». Isto porque, explica, «normalmente as pessoas vão cortando as suas ligações com os projectos que tinham anteriormente». Quanto à comparação com outros distritos, Cardoso Ferreira diz não saber fazer a comparação uma vez que não teve acesso ao estudo.

Norberto Gonçalves, coordenador distrital do núcleo da Guarda do Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IPDT), afirma não poder pronunciar-se sobre algo que não conhece. De qualquer forma, adianta que a apresentação pública do estudo irá ser realizada hoje, em Lisboa, durante o resumo das conclusões da “Semana de prevenção”. Durante o encerramento deste programa, serão ainda apresentados os premiados no concurso internacional “Os jovens e o álcool”, e as medidas governamentais sobre a toxicodependência. Quanto ao estudo, aquele responsável garante não ter nada sobre ele, e que as informações que possui foram as transmitidas pela comunicação social.

Bragança destaca-se pela negativa

Olhando para as diferenças entre distritos, Bragança lidera a lista das regiões onde o contacto com drogas atinge os valores mais elevados. De salientar que encontram-se aqui percentagens de experimentação acima da média nacional em sete das oito drogas ilegais. Castelo Branco, Coimbra e Viana vêm logo a seguir, com consumos mais elevados em três substâncias. Évora distingue-se pelo número de alunos que teve contacto com a cocaína (9,2 por cento, seis pontos acima da média nacional) e haxixe (quase 40 por cento dos estudantes já tinham, pelo menos, experimentado).

Outra das variáveis determinantes é o sexo dos inquiridos. Em relação a todas as drogas avaliadas, são os rapazes que mais experimentam. Mas quando se chega ao padrão de consumo, a conclusão é que a “regularidade”, por oposição à simples experimentação ou uso ocasional, é preponderante entre as raparigas. É assim para todas as drogas, excepto o haxixe. A título de exemplo, saliente-se que 23,9 por cento das consumidoras de heroína admitiram-no fazê-lo regularmente contra 11 por cento dos rapazes.

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Toxicodependência e trabalho

Geral Janeiro 9th, 2008

A toxicodependência é um dos problemas sociais mais graves do nosso tempo. Ninguém pode alhear-se desta realidade. Se aceitarmos que a toxicodependência é um problema social, então temos que aceitar também que o problema é de todos, ou seja, é de cada um – uma responsabilidade de todos e de cada um. Esta ligação entre o social e o individual, responsabilizando ao mesmo tempo (todas) as pessoas e as organizações construídas pelas pessoas, é a marca comum de todos os grandes problemas do nosso tempo: toxicodependência, SIDA e outros problemas de saúde, guerras, fome, justiça social, participação e cidadania, exclusão, racismo, sustentação do meio ambiente, segurança nas cidades, consumismo, etc… São problemas que resultam da forma como a sociedade está organizada (e somos nós que a organizamos).

Responsabilidade. O que significa sermos todos responsáveis? Significa que todos temos “culpa”?… Pensar em “culpas” e “culpados” é olhar para o passado. A ideia de responsabilidade aponta para o futuro, para a gestão do problema. É aí que todos temos um papel a desempenhar. Todos temos que assumir que a nossa colaboração é fundamental. E a colaboração de cada um começa na condução da sua própria vida e passa por um envolvimento responsável na vida da comunidade que o envolve. Ser responsável é respeitar a vida plena, é cultivar uma atitude ética face à nossa vida e face à vida dos outros.

Situado o problema da toxicodependência neste ponto de vista, justifica-se a relação entre toxicodependência e trabalho. A sociedade onde vivemos somos nós, indivíduos, mais as organizações que construímos. E as organizações relacionadas com o trabalho são muito importantes na sociedade em que vivemos. Essas organizações também têm responsabilidades. Compreender e gerir estes problemas passa obrigatoriamente por estas organizações e pela forma como as pessoas participam e se relacionam nelas e com elas (e vice-versa).

Mas vamos devagar. Afinal do que estamos a falar? Drogas? Toxicodependência?… Todos temos uma ideia do que se trata. Mas o assunto continua a ser polémico. Há muitas ideias controversas em cima da mesa e o assunto é de paixões (está na moda!). Para nos entendermos, seguem-se algumas perguntas e respostas de algibeira. Não esperamos que concordem com o que escrevemos. Esperamos que pensem no que escrevemos.
 

O que são as drogas?

Designam-se genericamente por “droga” todas as substâncias que podem modificar uma ou mais funções de um organismo vivo em que são introduzidos. As drogas que estão relacionadas com a toxicodependência são apenas uma parte do conjunto das drogas: São as drogas psicoactivas, que se caracterizam pelo poder de modificar as funções do Sistemas Nervoso Central (SNC).

O SNC é muito importante. Tem uma grande influência na forma como entendemos o mundo que nos rodeia e na maneira como lidamos com esse mundo. A consciência, a orientação, as diferentes formas de percepção, o pensamento e a compreensão, a memória, a atenção, o tempo de reacção e a qualidade das decisões… podem ser afectadas por estas substâncias. O que somos, a forma como nos vemos e de como estamos com os outros também. Os sentimentos, os interesses, os valores. A relação com pais, com filhos, com cônjuges, com namorados e namoradas. A relação com a família, com a escola, com o trabalho, com os amigos. Tudo pode ser profundamente afectado pelo consumo destas drogas. O conceito nuclear desta influência que as drogas podem ter na vida de quem as consome é a dependência.
 

O que é a dependência?

Há vários tipos de drogas psicoactivas. Podem distinguir-se pela sua origem geográfica, pela forma como são produzidas, pelos seus efeitos, pelo perigo associado ao seu consumo, pela forma como são vistas em diferentes culturas e sistemas jurídicos, etc..

Mas mais importante que as diferenças é o que estas substâncias têm em comum. Uma característica fundamental comum a todas as drogas psicoactivas é a dependência que podem provocar a quem as consome.

A dependência remete sempre para a relacão de uma pessoa com a substância. Todas as drogas têm aspectos positivos e negativos e podem ser melhor ou pior utilizadas pelas pessoas. A dependência é uma utilização inadequada de uma droga por quem a consome. Colocando desta forma a questão, fica no ar uma ideia: a pessoa dependente tende a ser vista como responsável pela sua dependência. É muito importante discutir esta ideia, que retomaremos na questão sobre a toxicodependência como doença. Mas o que é afinal a dependência?

Existe a dependência física, que corresponde a uma adaptação inadequada do organismo à droga consumada regularmente. Quando esta falta, o organismo ressente-se de uma forma que provoca grande sofrimento no consumidor. Como é sabido, nem todas as drogas provocam este tipo de dependência.

Existe outra forma de dependência que pode ser provocado por todas as drogas psicoactivas e que é muito mais grave: é a dependência psicológica. Trata-se de um processo em que a droga toma progressivamente conta da vida do seu consumidor. Associa-se geralmente a uma ilusão de poder e de controlo dos problemas e a uma negação da dependência. O consumidor não se apercebe do que lhe está a acontecer e não aceita os avisos dos amigos e familiares. Chega a um ponto em que a droga é a única razão de ser e de existir dessa pessoa. A família, a escola, o trabalho, os amigos, tudo deixa de interessar. Neste estado, a recuperação é extremamente difícil pois retirar a droga à pessoa equivale a retirar-lhe a razão de viver. É o vazio absoluto, que se torna insuportável para qualquer ser humano.

Quando falamos de dependência não podemos esquecer a codependência. Trata-se da dependência que algumas pessoas desenvolvem relativamente a um toxicodependente. Amigos, colegas, namorado/a, familiares podem envolver-se de tal forma no problema de um toxicodependente que ficam também “agarrados”. Deixam de viver as suas vidas para viver em função do problema do seu ente querido. Esta reacção é compreensível em pessoas que se preocupam com os outros, em especial quando gostam muito deles. Mas acaba por prejudicar a evolução do problema do toxicodependente e, além disso, os co-dependentes tornam-se também pessoas com problemas que precisam de ajuda para recuperar.
 

Os toxicodependentes são doentes?

A toxicodependência não é entendida como uma doença comum pela generalidade das pessoas. Muitos negam mesmo que se trate de um problema de saúde. Esta ambiguidade relativa à toxicodependência é semelhante à ambiguidade com que a sociedade sempre encarou os problemas mentais em geral. A principal razão destas dúvidas resulta da impressão de que as pessoas com problemas mentais são fracas e paradoxalmente, a impressão que essas pessoas são responsáveis pelos seus problemas (estão/são assim porque querem).

Se vivemos todos no mesmo mundo, sujeitos às mesmas pressões e dificuldades, porque apenas uma minoria se torna mentalmente perturbado? A resposta evidente é simples: porque nós, os equilibrados, somos fortes e eles, os desiquilibrados, são fracos. Mas as realidades humanas escapam sempre às respostas simples e evidentes. Temos que admitir que não somos fortalezas inexpugnáveis e que estes problemas também nos poderão acontecer a nós. Temos que admitir que não há “nós” e “eles”, mas sim seres humanos cuja essência é a conjugação de forças e de fraquezas. E a toxicodependência é um bom exemplo para reflectirmos sobre esta realidade.

Os toxicodependentes são parcialmente responsáveis pelo caminho que percorrem entre a vida sem droga e a vida dependente de droga. São também responsáveis por dar os passos fundamentais para a sua recuperação. Mas quando estão dependentes estão doentes porque não controlam essa situação e a sua vida. Precisam de ajuda, ou seja, precisam de se tratar. E é assim com a maioria das doenças do fim do século, cada vez mais o resultado do que somos e fazemos, cada vez mais marcadas pela dimensão da saúde mental/doença mental. Somos parcialmente responsáveis pela nossa saúde, um recurso que temos de cultivar no dia a dia durante toda a vida. Somos cada vez mais responsáveis pela qualidade da nossa vida mesmo quando estamos doentes – notar que as doenças do fim do século tendem a ser crónicas e de evolução prolongada (SIDA, cancro, problemas cardiovasculares, etc.).
 

Porquê a toxicodependência?

Prevalece a opinião que a droga é a principal causa dos nossos males. Mas é ao contrário., Os nossos males é que são a causa da importância que a droga ganhou nas nossas vidas. Quais são esses males?… Pergunta difícil, porque são tantos, todos tão enleados uns nos outros, que é dificil encontar o fio à meada. Em seguida referimos alguns desses males, mas não se esqueçam que a explicação não depende de um ou de alguns. Depende da combinação de todos.

O Ser. A toxicodependência é um problema do Ser, mas as explicações devem ser procuradas nas circunstâncias do Ser. As drogas, as pessoas com problemas, as suas vidas e as suas famílias, as instituições sociais como a Família, a Escola, ou Trabalho e a Rua. As cidades e a sociedade. A televisão e as outras formas de ilusão. A política e a economia.

As drogas. Os efeitos das drogas nas pessoas é uma vertente da explicação do problema. As drogas produzem uma ilusão de bem estar e de poder. Esta ilusão é artificial, mas as pessoas habituam-se a “ser” assim e só o conseguem com drogas.

A dependência e a negação, de que falámos antes, são também razões fortes para explicar esta doença.

As pessoas. As pessoas que se tornam dependentes são outra perspectiva necessária para compreender o problema. Histórias de vida e formas de ser diferentes: por exemplo, uma ideia pobre de si mesmo, uma expectativa inadequada sobre a vida, uma sede e viver e de vencer depressa, o medo exagerado do futuro, o sofrimento de Ser que se torna insuportável para alguns…

Famíla, Escola e Rua. Família desorientada, desagregada pelo individualismo dos nossos dias. Escola massificadora, que oferece pouco e não deixa procurar mais. Família e Escola que não atinam na missão primordial que é educar, que é formar o Ser. A Família perdida que se demite das suas responsabilidades. A Escola que nunca poderá substituir a Família. E para os jovens pouco espaço sobra para encontrar o sentido das suas vidas, para encontrar o Ser. Falta o rumo e o Ser, e assim andar nas “Ruas” é muito perigoso.

Trabalho e Família. Muitos perdem-se antes de chegar a altura de ter um trabalho. Mas outra das guerras do nosso tempo é entre a Família e Trabalho. O Trabalho desvaloriza a Família. Somos o que fazemos, somos o nosso trabalho. Somos no presente e esquecemos os nossos filhos que ainda não são nada. Crescer na Família é essencial ao Ser. É aí que se forma a raiz do Ser. Crescer mais, na Escola, na Rua e no Trabalho só é possível a partir dessa raiz. Equilibrar a Família e o Trabalho é um dos desafios que o nosso tempo coloca a cada um para continuarmos todos a ser (antes já falámos da responsabilidade de cada um, lembram-se?).

Cidade. Massa enorme, disforme, de pessoas sem identidade e sem Ser. A droga é a expressão máxima da vida das cidades, da vida sem Ser. É a massa da cidade que está a matar o respeito que o ser humano tinha pelo Ser.

Sociedade. Individualismo e materialismo exacerbado. Tudo tende para o coisificado, para o não-Ser. O Ser (humano) isolado não é Ser, é coisa entre coisas. O Ser (humano) constroi-se e cultiva-se na relação com outros Seres. É do respeito pelo outro que nasce o respeito por nós próprios e o sentido de uma existência digna e responsável.

Televisão. A ilusão. Como a droga. A vida fora de nós, tão depressa que não nos dá tempo para sentir, para pensar. Não nos dá tempo para Ser, para sermos nós próprios.

Política e Economia. A droga é um problema social e global, ou seja, é um problema político. Cabe aos políticos a visão. Cabe-lhes definir a estratégia e promover a mobilização da tal responsabilidade de todos e de cada um. Infelizmente costumam gastar o seu tempo com coisas mais urgentes (mas menos importantes). Quanto à economia, todos sabemos que a droga é um dos maiores negócios do mundo. Há países economicamente dependentes. Depois os tentáculos do polvo chegam a todo o lado. Não podemos dizer que a política e a economia criaram sozinhas este problema. Podemos dizer que contribuíram para este problema nascer e crescer. Podemos dizer que a sua contribuição para gerir este problema é indispensável.
 

Quais são as principais drogas?

O álcool continua a ser a droga mais consumida e a que produz mais problemas para o conjunto da sociedade. Estima-se que 10% da população portuguesa (1 milhão de pessoas) tenha problemas relacionados com consumo de álcool. Problemas de saúde graves, violência doméstica, acidentes de viação e laborais, custos de protecção social e de serviços de saúde são exemplos das consequências do consumo de álcool.

As drogas ilegais são outro tipo de problema. O haxixe é a droga ilegal mais consumada, mas a que provoca mais problemas é a heroína. Há também a cocaína e as drogas similares. Estima-se que 50.000 a 150.000 portugueses estão dependentes de drogas ilegais. As principais consequências deste problema são vidas e famílias desfeitas. A criminalidade urbana é outro problema grave associado ao consumo de drogas ilegais. A droga é, directa ou indirectamente, a causa da prisão de mais de metade da população prisional portuguesa. Os custos de saúde, sociais e criminais do consumo de drogas são incalculáveis. A grande corrupção, as máfias e o terrorismo, que se sustentam com a produção e o tráfico de drogas ilegais, são um problema ainda mais sério que pode fazer ruir pela base toda a nossa sociedade. Há estados completamente enfiados, mas o pior são as ameaças à justiça e à liberdade, princípios fundamentais dos sistemas democráticos.

Os psicofármacos consumidos sem controlo médico é um problema menos conhecido mas cuja gravidade tem vindo a aumentar. Os toxicodependentes usam muitas vezes os “comprimidos” como alternativa às outras drogas. Mas os tranquilizantes e anti-depressivos consumidos diariamente pelo comum dos cidadãos provocam muitas dependências ocultas em todas as idades e estratos sociais. Pessoas que vivem de forma limitada sem darem por isso, permanentemente anastesiadas/ alienadas pela droga.
 

Que respostas para controlar este problema?

Não há respostas certas e definitivas. Não há soluções. Temos que admitir que este problema não pode ser resolvido. Pode é ser gerido. A sua gestão depende de todos nós. Temos de nos responsabilizar, por nós e pelos outros. Pela nossa saúde e bem estar e pelo bem estar dos outros. Tal como pelo nosso meio. A sociedade e o meio que temos são, em grande parte, o que nós fazemos. Temos que nos preparar, que nos educar. Temos a responsabilidade comum de fazer o melhor possível, por nós e pelos que virão.
 

Trabalho e toxicodependência

A toxicodependência pode prejudicar o trabalho (absentismo, acidentes, baixa de produtividade, confiituosidade, imagem … ). O mundo do trabalho pode contribuir para a toxicodependência. Trabalho pobre, trabalho rico, inadequação do trabalho, ausência de trabalho, má gestão do trabalho, stress. O trabalho tem riscos para a saúde física e mental. Por estas duas razões, e por causa da tal responsabilidade de que tanto falámos, as organizações de trabalho e as pessoas que aí estão devem fazer qualquer coisa. Dever … e querer. Dever ético. Querer, porque sabemos que poder não chega. E porque querer é poder. Por nós próprios, pelos nossos trabalhos e pelos nossos filhos, devemos todos fazer qualquer coisa.

A maioria das pessoas com problemas de consumo de álcool e drogas trabalha. Alguns trabalham de forma “especial”, mas trabalham. Por vezes a sua família está desorganizada e os “amigos” vivem também no mundo da droga. O trabalho acaba por ser a única ponte com o mundo da vida sem drogas. Por isso, encontrar estas pessoas em contexto profissional é uma oportunidade para ajudar. Como? Não fingindo que não vemos ou que não é nada connosco (a tal responsabilidade).

Fazer o quê? Ser humano no trabalho é o princípio. Não devemos estar no trabalho como meros instrumentos ou peças da engrenagem. Devemos ser humanos e tratar os outros como seres humanos. Estar atento a todos os colegas, em especial aos desadaptados, aos que parecem não estar bem. Dar a mão. Às vezes basta um pouco de atenção, uma palavra, uma ajuda. Não piorar as coisas com “bocas” ou ignorando certas pessoas. Quando estamos seguros que há colegas com problemas, confrontar abertamente. Dizer-lhes que sabemos do seu problema e motivá-los para se tratarem. Transmitir a esses colegas confiança na sua recuperação e não os pôr de lado quando eles voltam depois de uma “cura”.

Mas o desafio maior que se pode lançar ao mundo do trabalho é a prevenção. Devemos procurar informação. Devemos formar-nos. Divulgar informação no seio da empresa. Falar destas coisas, organizar um grupo de discussão e de gestão do problema na empresa, na Comissão de Trabalhadores ou no Sindicato. Procurar consultores especializados que ajudem o nosso grupo a funcionar e a produzir trabalho. Contactar organizações especializadas em prevenção e em tratamento. Propor que a empresa clarifique a sua política nesta área. Propor à empresa a organização de acções de informação e de formação para os trabalhadores.

Estas são só algumas ideias. Quisemos demonstrar que é possível. Agora estão nas vossas mãos. Força.

Textos: Dr. Paulo Vitória

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Campanha contra a droga…

Videos Janeiro 2nd, 2008

Este video foi criado para um trabalho de uma cadeira de edição de video, em que o pretendido era uma publicidade institucional ou um video promocional de 1min e 40segs!.
Então surgiu a ideia de uma campanha contra o consumo de droga!

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Trabalho elaborado por:

Carlos Valério ( EU) – o protagonista
Duarte Oliveira – o amigo de Montemor-o-Velho
Miguel Santos – o amigo de Coimbra
Ricardo Durão ( Ricky_durao ) – o “dealer”

Gravações e montagem:
- por todos os participantes do trabalho.

Equipamento:
Duas camâras de vídeo digitais (DV) Handycams
Tripé

Software:
Magix Movie Edit pro 2005

ATENÇÂO – Durante as filmagens a segurança pública não foi posta em risco.
Não houve consumo de substâncias alucinogénias.
Ninguem saiu ferido!
Não tentem isto em casa… porque ainda partem alguma coisa cara!

NOTA: pena so podermos usar 1min40sg, porque as filmagens têem quase 2horas!
Siiiim ….por isso é que o filme está tao rapido!!!

Podes encontrar isto também aqui… http://www.misterquim.com/forum/viewtopic.php?p=1131

Fonte: Xoose.net

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