Arquivado em Março, 2008

Alcoolismo ameaça jovens portugueses

Álcool, Alcoolismo, Bebida alcoólica Março 31st, 2008

123RF

Jovens portugueses começam a beber, em média, a partir dos 13 anos, o que os torna potenciais alvo de vários problemas.

Os 13 anos são a idade média em que os jovens começam a beber álcool e, se o consumirem frequentemente até à maioridade, o risco de dependência aumenta em 50%, avisou um especialista português.

O hepatologista Rui Tato Marinho tem desenvolvido desde o início do ano lectivo um projecto-piloto de sensibilização de jovens para os perigos do consumo do álcool, mostrando que o retrato-tipo do trabalhador rural como alcoólico se alterou em Portugal.

«O tipo de alcoolismo actual é mais grave. Há fenómenos como o binge drinking – beber muito num curto período de tempo principalmente ao fim-de-semana – e ao qual surgem associados a violência, os acidentes rodoviários e o sexo desprotegido com desconhecidos.

A própria Organização Mundial de Saúde aponta o consumo excessivo de álcool como factor de risco para a infecção da sida», sublinhou. «Temos de pensar por que é que temos quatro vezes mais infecções de sida do que a Espanha. Talvez estes comportamentos dos jovens sejam parte da explicação», avançou, lembrando que o consumo de 10 shots equivale a três litros de cerveja.

O presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado comentou ainda que o consumo de shots «dá maiores lucros económicos e faz parte de uma teia de interesses que faz mal à saúde».

O cenário de uma cirrose também pode tornar-se real a longo prazo (10 a 20 anos) e deve afectar entre 10 e 15% dos praticantes do binge drinking.

Share

Tabagismo

Geral, Prevenção, Saúde, Tabaco Março 28th, 2008

Toxicodependência

A toxicodependência é um fenómeno que, de forma dramática tem marcado os últimos cinquenta anos. A dependência decorre dos efeitos de uma substância sobre o organismo, o que vai provocar uma vontade irresistível de voltar a consumir. As dependências física e psicológica andam habitualmente associadas. Uma vez instalado o hábito de consumir determinada substância, torna-se difícil abandoná-lo definitivamente. É um problema que não acontece só aos outros. A prevenção é a grande aposta para evitar que te confrontes com este problema. A primeira e melhor forma de prevenir é conversar com as pessoas que te rodeiam, os pais são muitas vezes os primeiros agentes de prevenção do consumo de drogas. São os pais que, melhor do que ninguém, conhecem os seus filhos e os podem ajudar. Além disso, maioritariamente os pais são os primeiros modelos, os exemplos a seguir pelos mais novos. São várias as causas que podem levar à toxicodependência. Estudos recentes apontam os factores fundamentais a curiosidade e o gosto do risco, próprios da adolescência e juventude. Outras vezes é a pressão dos amigos que vêem no consumo de drogas uma forma de se afirmar e de ser adulto. A prevenção não termina com a adolescência. A prevenção faz-se todos os dias. A prevenção começa no diálogo com os teus pais, os teus amigos, o teu parceiro(a), os teus colegas, os teus professores…

Tabagismo

Tabagismo significa abuso de tabaco. É o vício de fumar regularmente um número considerável de cigarros, cigarrilhas, charutos ou tabaco de cachimbo. Fumar predispõe para o cancro do pulmão e outros, bronquite e enfisema pulmonar, úlcera gastro-duodenal, doenças cardio-vasculares e acidentes vasculares cerebrais. As mulheres fumadoras grávidas podem prejudicar o desenvolvimento e a viabilidade do feto. Os fumadores também prejudicam a saúde dos não fumadores junto de quem vivem, que acabam por ser fumadores contra vontade (“fumadores passivos”).

Efeitos do tabaco no ser humano

* No aparelho respiratório, 90% dos cancros são devidos ao tabaco.
* No aparelho circulatório, a angina de peito, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial e o acidente vascular cerebral são algumas das doenças mais frequentes.
* Na área oto-rino-laringológica, 65% dos cancros da boca são devidos ao tabaco bem como a diminuição do olfacto e tendência para rouquidão.
* No aparelho urinário, o tabaco pode provocar cancro da bexiga.
* Ao nível sanguíneo, provoca alterações da coagulação.
* Na mulher, o tabaco aumenta o risco de cancro do colo do útero e em combinação com a toma da pílula contraceptiva, aumenta o risco de trombose venosa.
* No recém-nascido, o tabagismo da mãe aumenta o risco de malformações, parto prematuro, baixo peso ao nascer e síndrome da morte súbita.

Calcula-se que cerca de dois milhões e meio de pessoas morrem anualmente em todo o mundo, devido ao tabaco. Por isso, a Organização Mundial de Saúde propõe a luta, por todos os meios, contra esta autêntica epidemia dos tempos modernos.

Tratamento

O PROJECTO VIDA é o programa nacional de combate à droga. Promove:

* a prevenção do consumo de drogas;
* o tratamento e reinserção social dos toxicodependentes;
* o combate ao tráfego de drogas.

A Linha Vida, integrada no Projecto Vida, é um serviço telefónico, gratuito e confidencial, à tua disposição para te informar e aconselhar sobre problemas de toxicodependência. Funciona de 2ª a 6ª feira, das 10h às 24h, pelo tel. 1414. O PROJECTO VIDA também tem, para quem deseja aconselhar-se por escrito, o e-mail linhavida.lx@ipdt.pt ou o site www.projectovida.pt (clicar em “contacto”). Existem muitas outras instituições vocacionadas para a prevenção e tratamento da toxicodependência. Se tens problemas neste domínio:

* fala com os pais;
* fala com o teu namorado(a);
* fala com o teu director de turma, se estiveres a frequentar a escola;
* consulta o teu médico de família;
* procura um Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT);
* procura uma ajuda especializada: um psicólogo ou um psiquiatra.

Em Portugal existe o Conselho de Prevenção do Tabagismo, situado na Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 844 60 55 e o fax 21 846 42 12. É um órgão de consulta e acção pedagógica dependente do Ministério da Saúde. Compete-lhe a intervenção junto de entidades públicas ou privadas no âmbito do planeamento, coordenação e dinamização das acções de luta contra o tabagismo, colaborando estreitamente com organismos internacionais.

A Coligação das ONG Portuguesas de Prevenção do Tabagismo (privado), Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 8464219 e o fax 21 8464212; e-mail: luis.reis.lopes@mail.telepac.pt.

O Gabinete de Dependência Química (privado), na Rua Epifânio Dias, 44, CP-1700-161 Lisboa, tel 21 842 16 70 e o fax 21 842 16 79; e-mail: gdq@mail.telepac.pt.

As doenças causadas pelo consumo exagerado e prolongado do tabaco – incluindo a intoxicação tabágica – são tratadas nos centros de saúde, hospitais e clínicas (públicos e privados) de todo o país. O melhor mesmo é tentares a desabituação, para deixares definitivamente de fumar!

Share

Drogas

Geral, Prevenção, Saúde Março 28th, 2008

Definição da natureza das drogas psicoactivas
Uma droga psicoactiva é qualquer substância que altera o teu humor (por exemplo, que te torna feliz, triste, nervoso, eufórico, deprimido, excitado, etc.). Altera a tua percepção do ambiente externo (por exemplo, o tempo, a localização, as condições, etc), ou altera a tua percepção do ambiente interno (por exemplo, sonhos, imagens, alucinações, etc.). Por exemplo, após usares uma substância psicoactiva, podes sentir-te eufórico, estares inconsciente da passagem do tempo e podes focalizar-te em fantasias ou imagens. O uso destas substâncias pode originar sérios problemas, assim como levar-te a ter comportamentos que de forma consciente não desejavas, pelo que deves estar informado(a) e prevenires-te!

Depressores
Os depressores reduzem a estimulação fisiológica, reduzem a tensão psicológica e podem levar-te a relaxar. Há três tipos de depressores: o álcool, os barbitúricos e as benzodiazepinas. O efeito enaltecedor do álcool é devido ao facto dele actuar ao nível dos centros inibidores do cérebro, fazendo com que te tornes menos inibido e mais expansivo. No entanto, à medida que o nível de intoxicação aumenta, o efeito depressor torna-se mais difundido, reduzindo a actividade nas áreas do cérebro que são responsáveis pela estimulação. Nesta altura podes sentir-te sedado e com sono. Além destes efeitos, o consumo excessivo de álcool afecta a visão e o equilíbrio, para além de reduzir o controle muscular, de forma que a fala torna-se enrolada e a coordenação motora reduzida. A concentração e a capacidade de julgamento também são afectadas, pelo que do ponto de vista pessoal e social podes ter atitudes que vão contra os teus valores.
Os barbitúricos, que são tranquilizantes, reduzem a estimulação. Em consumos ligeiros, os barbitúricos provocam relaxamento, a sensação de “cabeça leve” e uma diminuição da capacidade motora. Em consumos elevados provocam fala enrolada, diminuição da coordenação motora, ligeira euforia e sono. Estas substâncias são rapidamente absorvidas pelo fluxo sanguíneo a partir do sistema digestivo e passam depois muito rapidamente para o cérebro, local onde exercem os seus efeitos.
O uso prolongado e incorrecto de barbitúricos pode resultar em graves sintomas de abstinência. Os sintomas incluem habitualmente tensão, tremores, perda de controle motor, náusea, delírio, alucinações visuais e auditivas.
Um problema muito sério associado ao consumo e barbitúricos é a morte devida a overdose acidental. A possibilidade de ocorrer uma overdose e a morte é maior quando os barbitúricos são tomados com álcool, uma vez que os dois depressores “trabalham” juntos para suprimir a respiração. As benzodiazepinas são a última geração de tranquilizantes, são habitualmente utilizadas para reduzir tensões diárias e auxiliar o sono.
Os barbitúricos e as benzodiazepinas são bastante semelhantes em vários aspectos, mas os barbitúricos são mais poderosos e tendem a ser usados de forma incorrecta e a resultar em dependência.

Narcóticos
O termo “narcótico” é frequentemente usado para referir drogas ilegais, mas tecnicamente refere-se a uma classe específica de drogas derivadas do ópio. Os narcóticos exercem o efeito de entorpecer os sentidos e produzir um estado semelhante ao sono. No entanto, o consumo de doses altas pode causar um grau prolongado de relaxamento que pode levar à paragem respiratória e, como consequência, à morte.
Os narcóticos incluem o ópio, a morfina e a heroína. O ópio é a seiva da planta papoula, e o nome “opium” tem origem grega, cujo significado é “seiva”. Um dos usos mais notórios ocorreu nas casas de ópio chinesas, onde era fumado em cachimbos e os fumantes permaneciam dias num estado de relaxamento.
A morfina é uma das substâncias activas do ópio. É dele extraída e usada como uma droga em si mesma. A morfina é dissolvida em líquido e injectada de seguida na corrente sanguínea. Depois de um breve “high” ela proporciona um estado leve de relaxamento.
O nome “morfina” vem de Morfeu, o deus grego do sono. A morfina e outros narcóticos causam sensações de sonolência, mas, ao contrário dos depressores, na realidade não aumentam o sono e podem mesmo reduzi-lo.
A codeína é outra susbtância activa, porém menos poderosa que o ópio, a qual é utilizada sozinha. É amplamente usada como analgésico e encontrada em vários medicamentos para a dor e a tosse. A heroína é também um derivado do ópio, mas é uma droga semi-sintética. O nome heroína foi derivado de uma palavra em alemão significando “poder concentrado”, o que de facto tem.
A heroína é em geral usada em forma de pó, misturada com tabaco e fumada, inalada directamente pela narinas ou dissolvida e injectada directamente nas veias. A heroína pode causar um “high” que os consumidores dizem ser semelhante a um orgasmo sexual, que dura aproximadamente 60 segundos e é seguido por um período de quatro a seis horas de um género de entorpecimento.
O uso prolongado de narcóticos conduz à dependência e a graves problemas de abstinência. O processo de abstinência pode ser doloroso e violento, habitualmente existe uma inquietação geral, calafrios, sudação, dificuldade em respirar, entre outros. Pode ainda existir uma perda de controle motor, tiques nervosos, tremores, cãimbras musculares dolorosas, diarreia, vómito e suor. Além da abstinência, o uso de opiáceos, em particular da heroína, pode ser extremamente perigoso, tanto a nível físico como a nível psicológico. A consequência física mais extrema do uso de heroína é a morte.

Estimulantes
Os estimulantes provocam estados de euforia que são geralmente referidos como “highs“. Provocam estes efeitos porque aumentam os níveis de determinados neurotransmissores e, desta forma, aumentam o nível de actividade neurológica do sistema límbico, um sistema que é responsável pelo prazer.
Os dois estimulantes mais poderosos são as anfetaminas e a cocaína, mas também poderiam incluír a cafeína e a nicotina.
As anfetaminas são habitualmente tomadas oralmente, resultando dessa toma sentimentos de bem estar, alegria, vigor e redução de fadiga. Porque as anfetaminas são absorvidas lentamente a partir do sistema digestivo quando são tomadas por via oral, os efeitos surgem lentamente mas duram entre três a seis horas.
O uso prolongado de anfetaminas conduz a sintomas de abstinência como a depressão, abatimento e fadiga. Além dos problemas de abstinência, o uso destas substâncias apresenta três consequências sérias. Em doses elevadas podem provocar a rotura de veias no cérebro (devido a aumento drástico da pressão sanguínea), provocando danos cerebrais e consequentemente a morte. Em doses elevadas podem provocar psicoses por anfetaminas (transtornos mentais). O efeito de altos níveis de anfetaminas pode fazer com que as pessoas se tornem perigosas para si próprias e para os outros (suícida/homicida). A cocaína é o outro estimulante frequentemente utilizado. Os efeitos da cocaína sobre o humor são semelhantes aos das anfetaminas, todavia, são mais intensos. A cocaína causa um intenso “high” caracterizado por sentimentos de animação, energia, bem-estar, autoconfiança “estar no topo do mundo”.
Uma vez dependentes, os consumidores farão qualquer coisa para obter cocaína e estima-se que uma percentagem de crimes violentos estão associados a esta droga. Além da dependência e da depressão, há estudos que indicam que em algumas pessoas o uso da cocaína pode induzir uma psicose que geralmente envolve delírios paranóides.
O uso da cocaína pode induzir graves riscos médicos, pois pode bloquear a condução de impulsos nervosos, o que pode ser fatal. Um outro problema associado à inalação da cocaína, é o dano severo nas mucosas nasais. A cafeína é o estimulante mais forte de um determinado grupo de drogas, denominado metilxantinas. A cafeína existe habitualmente no café e no chá e também é acrescentada muitas vezes em refrigerantes e em alguns medicamentos.
A cafeína no café e no chá é prontamente absorvida pelo sistema digestivo e atinge níveis sanguíneos máximos em 30 a 60 minutos. A ingestão de altos níveis de cafeína (500 a 800mg diários) resulta em agitação, tensão, irritabilidade, insónia, perda de apetite, frequência cardíaca aumentada, dores de cabeça, etc.
Em resumo, resulta nos sintomas de uma perturbação da ansiedade, os sintomas de abstinência ocorrem em pessoas que bebem cerca de cinco chávenas por dia. Os sintomas são. em geral, tensão, agitação motora e tremores musculares.
A nicotina é derivada do tabaco e a maioria das pessoas obtém a nicotina a partir do cigarro. As pessoas que fumam, fazem-no muitas vezes para aumentar a sua estimulação (depois de uma refeição ou durante uma pausa) e também quando estão tensas e desejam reduzir a ansiedade (durante períodos de stress).
A estimulação produzida pela nicotina resulta em tremores musculares, aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão sanguínea e contrações das veias da pele.
Os sintomas de abstinência incluem irritabilidade, incapacidade de concentração, tonturas, náusea, tremores musculares, dores de cabeça, insónia e um aumento do apetite. Os sintomas de abstinência geralmente duram menos de seis meses, mas em algumas pessoas podem persistir por anos.

Alucinógeneos
O efeito dos alucinógenos é distorcer experiências sensoriais, ou seja, distorcer a realidade. Enquanto a pessoa está sob o efeito de alucinógenos, o que vê ou ouve é alterado, mudado ou deformado de modo a parecer diferente. Tais distorções podem ser chamadas de alucinações (experiências de percepção que não têm uma base na realidade), daí o termo alucinógeno.
Alguns alucinógeneos são o cannabis (porque altera experiências sensoriais e cognitivas), o LSD e a mescalina.
Cannabis, maconha, haxixe e hash oil, todos vêm do cãnhamo cannabis sativa, o nome para a droga cannabis é subjacente. Maconha é simplesmente as folhas secas da planta cannabis, e é a forma mais comum na qual é usada. Habitualmente é fumado. A cannabis pode afectar o humor, experiências sensoriais e o funcionamento cognitivo, mas os seus efeitos variam de pessoa para pessoa. O “high” obtido do cannabis envolve sentimentos de euforia ligeira e sentimentos de alegria. Durante o “high” tudo parece engraçado. A cannabis geralmente proporciona uma mudança de humor positiva, mas, às vezes, resulta em depressão ou experiências negativas.
As controvérsias sobre os benefícios e os perigos do consumo da cannabis têm sido numerosas. Alguns investigadores alegam que quando é usada com moderação é um relaxante eficaz e seguro e que as suas consequências são inferiores às do alcoolismo e dos tranquilizantes. Outros investigadores alegam que o uso da cannabis conduz a um aumento da violência, uso de drogas mais “perigosas” e redução geral da motivação.
LSD e Mescalina vêm de fontes diferentes e apresentam modos de acção diferentes. Os efeitos da droga, de qualquer droga, variam de pessoa para pessoa. No entanto, habitualmente resultam em períodos de experiências sensoriais dramaticamente transformadas. As cores ficam mais brilhantes, os sons ficam mais intensos e as formas frequentemente parecem distorcidas.
As “viagens” em geral duram entre quatro a oito horas. As mudanças na percepção e nos sentimentos podem variar muito de pessoa para pessoa, ou seja, se as percepções “mudadas” ou distorcidas são agradáveis, as “viagens” podem ser agradáveis, se as percepções “mudadas” são desagradáveis, este tipo de experiência pode se traumática, colocando o indivíduo em perigo de vida. Exemplo, jovens que pensaram que tinham poderes sobrenaturais e saltaram de edifícios ou pontes.
Os alucinógenos são tomados oralmente, depois de absorvidos pelo sistema digestivo, chegam ao cérebro através da corrente sanguínea. O uso do LSD e da mescalina apresentam diversas consequências negativas.

Se te encontras com dúvidas relativamente ao consumo de substâncias ou se conheces alguém que precisa de ajuda, liga o 1414, serviço de ajuda e aconselhamento na área da toxicodependência.

Share

Alcoolismo

Álcool, Geral Março 28th, 2008

Toxicodependência
A toxicodependência é um fenómeno que, de forma dramática, tem marcado os últimos cinquenta anos. A dependência decorre dos efeitos de uma substância sobre o organismo, o que vai provocar uma vontade irresistível de voltar a consumir. As dependências física e psicológica andam habitualmente associadas. Uma vez instalado o hábito de consumir determinada substância, torna-se difícil abandoná-lo definitivamente.

É um problema que não acontece só aos outros.

A prevenção é a grande aposta para evitar que te confrontes com este problema. A primeira e melhor forma de prevenir é conversar com as pessoas que te rodeiam, os pais são muitas vezes os primeiros agentes de prevenção do consumo de drogas. São os pais que, melhor do que ninguém, conhecem os seus filhos e os podem ajudar. Além disso, maioritariamente os pais são os primeiros modelos, os exemplos a seguir pelos mais novos. São várias as causas que podem levar à toxicodependência. Estudos recentes apontam os factores fundamentais a curiosidade e o gosto pelo risco, próprios da fase da adolescência e juventude. Outras vezes é a influência dos amigos que vêem no consumo de drogas uma forma de se afirmar e de ser adulto.

A prevenção não termina na adolescência.

A prevenção faz-se todos os dias.


Alcoolismo
O consumo excessivo e prolongado do álcool provoca os seguintes efeitos sobre o organismo humano:

-Acção sobre o tubo digestivo e estômago: as mucosas do tubo digestivo e estômago ficam em contacto directo com o álcool. Este contacto, sobretudo se exagerado e frequente, provoca irritação da mucosa gástrica, que pode degenerar em inflamação e ulceração, devido ao álcool provocar aumento de secreção gástrica e pancreática. O álcool ingerido em concentrações elevadas diminue as secreções, ou inibe a transformação dos alimentos.

-Acção sobre o fígado: o fígado fica igualmente em contacto directo com o álcool, visto que é neste órgão que começa a sua transformação. A acção nociva do álcool produz a “cirrose alcoólica” no decurso da qual as células do fígado vão desaparecendo progressivamente para serem substituídas por tecido escleroso.

-Acção sobre o sistema nervoso central: o álcool perturba o funcionamento normal do sistema nervoso central. A sua acção é a de um anestésico. Esta depressão gradual das actividades nervosas, devida ao álcool, atinge os centros nervosos pela ordem inversa da sua evolução, quer dizer, começando pelos centros que comandam a capacidade de ajuizar, a atenção, a autocrítica, o autodomínio, a locumoção, para terminar naqueles de que depende a vida orgânica. Num primeiro estado, o indivíduo, após ter bebido alguns ml de álcool, parece ter comportamento normal, mas observado atentamente, apresenta reflexos cuja rapidez e precisão estão um pouco diminuídos. A alteração dos centros inibidores aparece num segundo estado. O indivíduo experimenta uma sensação de bem-estar, de euforia, de excitação, por vezes com uma quebra variável do controle que normalmente exerce sobre as suas palavras, sobre a sua coordenação muscular e locomotora e sobre as suas emoções. Num terceiro estado acentuam-se estes sintomas, havendo uma imprecisão dos movimentos, descontrole nas frases que diz, no andar, na audição e na visão. Num quarto estado, uma intoxicação mais profunda do sistema nervoso segue-se à embriaguez, após um período em que se agravam os seguintes sintomas: alucinação, excitação motora desordenada, perda da sensibilidade e da consciência. Sobrevem um sono com perturbações da respiração e da circulação, seguida de coma alcoólico que pode ser mortal. As quantidades de álcool que podem provocar estes estados sucessivos variam de indivíduo para indivíduo.


O alcoolismo é uma doença
Porque é que o alcoolismo é uma doença física? O alcoólico sofre de uma péssima alimentação e má nutrição; deficiência em vitaminas, dispepsia, hepatopatia, desidratação. Apresenta além disso sintomas nervosos diversos; tremuras, cefaleias, alteração da memória.

Porque é que o alcoolismo é uma doença psíquica?

  • Porque o alcoólico tem necessidade de álcool para aceitar a realidade;
  • Porque tem tendência a fugir às responsabilidades;
  • Sofre de angústia, é agressivo, resiste mal às frustrações e às tensões;
  • Porque nele o nível de consciência, enquanto racionalidade tende a baixar, levando-o a uma conduta impulsiva.

Porque é que o alcoolismo é uma doença social? É o aspecto mais aparente do alcoolismo:

  • Negligência perante a família;
  • Divórcios numerosos entre os alcoólicos;
  • Frequentes perdas de emprego;
  • Perdas dos velhos amigos que continuem sóbrios;
  • Problemas financeiros… recurso às organizações sociais;
  • Agressividade perante a sociedade;
  • Dificuldade em colaborar numa obra comum.

Porque é que o alcoolismo é uma doença moral?

  • Porque o alcoólico esquece normalmente a sua vida espiritual;
  • Porque não respeita as suas obrigações perante a família, os colegas de trabalho, a sociedade;
  • Porque perde todo o senso moral.

Tratamento
Se o alcoólico é um doente, é necessário persuadi-lo de que a sua doença se pode tratar. Evitemos, portanto, considerá-lo como um viciado ou um fraco de espírito. As repreensões, o ridículo, os sermões, as atitudes protectoras, só fazem com que ele continue a beber. Há, sobretudo, que ajudá-lo a eliminar ou minimizar as causas que o levaram a encontrar lenitivo na bebida. Existem várias instituições onde as pessoas com problemas de alcoolismo podem encontrar ajuda médica ou psicológica específica, e outras em que podem desfrutar de convívios ou reuniões de entre-ajuda (alcoólicos anónimos).

O PROJECTO VIDA é o programa nacional de combate à droga. Promove:

  • a prevenção do consumo de drogas;
  • o tratamento e reinserção social dos toxicodependentes;
  • o combate ao tráfego de drogas.

A Linha Vida, integrada no Projecto Vida, é um serviço telefónico, gratuito e confidencial, à tua disposição para te informar e aconselhar sobre problemas de toxicodependência. Funciona de 2ª a 6ª feira, das 10h às 24h pelo tel. 1414. O PROJECTO VIDA também tem, para quem deseja aconselhar-se por escrito, o e-mail linhavida.lx@ipdt.pt ou o site www.projectovida.pt (clicar em “contacto”). Existem muitas outras instituições vocacionadas para a prevenção e tratamento da toxicodependência.

Se tens problemas neste domínio:

  • fala com os pais;
  • fala com o teu namorado(a);
  • fala com o teu director de turma, se estiveres a frequentar a escola;
  • consulta o teu médico de família;
  • procura um Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT) ou um Centro de Atendimento a Jovens (CAJ – IPJ);
  • procura uma ajuda especializada: um psicólogo ou um psiquiatra.
Share

A Toxicodependência!

Drogas em geral, Prevenção, Toxicodependência Março 27th, 2008

As drogas ilícitas mais consumidas pelos portugueses são o haxixe, a heroína, a cocaína e o ecstasy.

Haxixe: é uma pasta de resina obtida a partir do cânhamo. Tem cor castanha e é vendida sob forma de placas “chocolate”.
Cocaína: obtida a partir das folhas da coca. Tem cor branca e é vendida sobre forma de pó, “Branca”.
Heroína: Obtida a partir do ópio. Tem cor castanha acinzentada e é vendida sob forma de pó, “Brown”.
Ecstasy: são comprimidos de anfetaminas vendidas em algumas discotecas.

As drogas lícitas mais consumidas pelos portuguesas são: o álcool, as benzodiazefinas e a nicotina.

Em relação às toxicodepêndencias é fundamental conhecer vários conceitos:

Adição: caso particular da dependência caracterizada pela compulsão para consumir determinada substância.
Dependência: quando a pessoa pára com o consumo duma substância tem sintomas físicos e psíquicos negativos (síndroma de privação).
Tolerância: o consumo continuado conduz ao aumento de dose da substância para a pessoa sentir o mesmo efeito.

 

Consumidores

É frequente a pessoa consumir mais do que uma substância. Consome preferencialmente determinado produto mas na falta deste, aprende a consumir vários que servem de substitutos.
As toxicodependências escondem por vezes doenças psíquicas ou distúrbios de personalidade. No entanto, o consumo de substâncias aditivas conduzem a estas alterações.

Há vários tipos de consumidores, o ocasional, o que abusa de substâncias e o dependente.

O primeiro consome esporadicamente, geralmente em encontros sociais. O segundo usa em quantidades excessivas a substância e o último consome para não sentir o síndroma de privação. A distinção entre estes dois últimos é, por vezes, difícil, uma pessoa que abusa de substâncias corre o risco de rapidamente se tornar dependente.
As causas que levam as pessoas a procurar o consumo de substâncias aditivas são várias.
É na adolescência que se inicia geralmente o consumo de substâncias aditivas. No entanto, alguns dependentes iniciaram a partir dos 30 anos.
As mudanças rápidas e múltiplas que ocorreram nos últimos anos do século XX alteraram alguns valores sociais. Em relação à estrutura familiar, as famílias alargadas diminuíram drasticamente, aumentando as famílias nucleares e monoparentais. Em relação ao trabalho, as exigências de entrega e de desempenho levaram os pais a entregarem os filhos a infantários, organizações de tempos livres e a escolas que são especializadas na educação das crianças. Esta situação provocou desqualificação dos pais que não tendo tempo para acompanhar os filhos (conhecê-los e darem-se a conhecer), compensam a falta de afectos e emoções com bens materiais.
Cada vez mais cedo os jovens são confrontados com a gestão lúdica e material do seu dia-a-dia. Pedem-se-lhes responsabilidades para as quais se encontram ainda mal preparados. Sem o acompanhamento do adulto para ensinar e gerir o tempo e consumo de bens materiais, podem surgir desequilíbrios e a procura de consumo do ilícito.

Sem as referências estruturantes dos pais, procuram-nas na escola. Se esta, por alheamento ou exclusão falha, aos jovens só resta:

  • O isolamento.
  • A televisão e/ou o computador.
  • A rua.
  • A entrada para um grupo marginalizado que se auto-exclui e é excluído.

 

Papel da Escola na Prevenção das Toxicodependências

A escola é um local onde os alunos passam a maior parte do tempo. É nela que iniciam e desenvolvem o seu processo de socialização.

As funções da escola são:

ENSINAR OU SABER-SABER, SABER-FAZER.

EDUCAR OU SABER SER.

SOCIALIZAR OU SABER ESTAR

É na escola que os jovens se preparam para a vida activa e aprendem a ser adultos, cidadãos autónomos com capacidade de realização. Aprendem a elaborar objectivos e a estabelecer prioridades nas estratégias necessárias para os atingirem.
A escola é um local de saber cognitivo, e psicomotor, nela os alunos aprendem conceitos teóricos e teórico-práticos e ganham capacidades de desempenho.
A escola não pode substituir os pais, estes são os encarregados de educação dos seus filhos. O papel da escola é complementar da função pedagógica dos Pais.
O que se pede à escola é que prepare os alunos para a sua vida socio-profissional. Ela deve estar dimensionada adequadamente para o número de alunos inseridos, deve ter um espaço de atendimento para os pais e alunos, deve estar adaptada à realidade social da comunidade onde está inserida, deve partilhar com outros parceiros institucionais e não institucionais na vida dessa comunidade. Deve aceitar e compreender as diferenças e deve estar atenta para os comportamentos de risco de alguns dos seus alunos. Aqueles que subitamente se desinteressam pelas matérias, faltam com frequência e deixam de andar com o grupo de amigos habitualmente são jovens de risco.
Os pais devem ser informados e os jovens devem ser ouvidos. Se a família é uma família desestruturada deve ser referenciada, com o seu acordo, para o Centro de Saúde onde será consultada por um médico de família. Se for necessário poderão ser pedidos outros auxílios: social, psicológico, psiquiátrico, judicial.
Todos os problemas têm solução, mas precisam ser entendidos para serem resolvidos.
A escola é uma referência cultural da comunidade. A globalização, as facilidades dos meios de comunicação, só vieram alterar alguns valores que aparentemente a desqualificaram.
A rapidez e a facilidade do saber pelos meios informáticos não substituem a escola na sua função pedagógica fundamental. Saber saber não chega é preciso saber gerir o saber, e aprender a utilizá-lo para saber fazer. É preciso aprender a comunicar para saber estar.
A escola deve promover a formação dos seus funcionários, porque a evidência demonstra que a formação melhora o desempenho e torna-os mais satisfatórios pessoal e profissionalmente.
Desta forma a escola estará a desempenhar as suas funções e a prevenir a marginalização dos seus alunos, o abandono escolar com todas as eventuais consequências negativas, sendo as toxicodependências uma delas.

Share

Centro de Atendimento é procurado por um milhar de toxicodependentes

Prevenção, Toxicodependência Março 27th, 2008

 
3200 pessoas com problemas de toxicodependência já passaram pelo CAT de Aveiro, desde que abriu, há 11 anos,em S. Bernardo

José C. Maximino, Nuno Alegria

O Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT) de Aveiro já atendeu quase 3200 indivíduos, homens e mulheres, sobretudo jovens, mais ou menos dependente do consumo de drogas, desde que abriu as portas, em 1995, em instalações do antigo Centro de Saúde Mental de Aveiro, em S. Bernardo. Actualmente, estão a ser acompanhados 920 pacientes. Um número ligeiramente inferior aos dos últimos anos 1043 em 2004, 980 em 2003.

Venda travada na véspera

Poucos dias depois da data em que as instalações do antigo Centro de Saúde Mental de S. Bernardo, incluindo o edifício do CAT, estiveram para ser vendidas em hasta pública (a praça, marcada para quinta-feira passada, acabou por ser anulada, à última hora, na sequência de diligências do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), junto da Direcção-Geral do Património), o JN esteve meio dia no CAT. E testemunhou uma grande preocupação quanto ao futuro da instituição e daqueles que a procuram, em busca de ajuda especializada, em caso de venda. Criado em 1995, o CAT de Aveiro cobre, actualmente, 12 municípios do distrito Ovar, Estarreja, Murtosa, Águeda, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro, Ílhavo, Vagos, Oliveira do Bairro, Anadia e Mealhada. Os outros sete, situados mais a norte, são, agora, cobertos pelo CAT de Santa Maria da Feira, criado há cerca de quatro anos. Apesar disso, ainda há pacientes desses municípios, caso de Espinho, que por causa dos transportes (comboio) preferem continuar a fazer tratamento em Aveiro. Para responder às necessidades dos actuais 920 utentes, o CAT de Aveiro conta com uma equipa de oito médicos , seis enfermeiros, cinco psicólogos, cinco técnicos de serviço social, três de secretariado e dois auxiliares.

No universo dos utentes que estão, presentemente, a ser acompanhados, 2,5% consumiam drogas injectáveis, 4,6% são portadores de sida, 12,5% de hepatite B e o maior número, 54%, tem hepatite E (associada à partilha de seringas e práticas sexuais não protegidas), 297 fazem tratamento de substituição com metadona e 180 com buprenorfina (vulgo “Subutex”) .

Embora não seja rigoroso estabelecer uma relação directa entre a procura de ajuda médica e o consumo de drogas, os números apontam tendências, permitem construir percepções.

” Temos a ideia de que o consumo de heroína está estabilizado”, diz o director do CAT de Aveiro, Rocha Almeida. “Outra percepção diz-nos que já não há consumidores só de heroína e que o policonsumo (de álcool, haxixe, cocaína, ácidos e pastilhas) está em alta. Tem aumentado de maneira significativa ( a cocaína até já está mais barata do que a heroína) e começa a aparecer em estratos cada vez mais jovens”, diz o médico.

Projecto Praça do Peixe

O aumento do consumo de drogas associado ao álcool levou o CAT a desenhar um projecto de intervenção de rua, na noite aveirense. O programa está a ser desenvolvido através de uma parceria que, além do CAT, envolverá a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia da Vera Cruz, a Universidade, a Associação Académica e os próprios bares. A Praça do Peixe será o espaço de intervenção privilegiado dos diversos agentes, tendencialmente pessoas jovens, que vão começar a receber formação já este mês. “Associado ao álcool, o consumo de drogas é extremamente problemático. As bebidas alcoólicas concentradas estão na moda, induzindo ao consumo exagerado de outras substâncias, às vezes adulteradas. “Vamos mostrar-lhes, através de coisas simples, algumas tiradas da Internet, o estado em que se encontram e a “qualidade” das drogas”, diz Rocha Almeida, sublinhando tratar-se de um projecto no âmbito da política de redução de riscos.

Share
blank