Alcoolismo ameaça jovens portugueses
Álcool, Alcoolismo, Bebida alcoólica Março 31st, 2008

Jovens portugueses começam a beber, em média, a partir dos 13 anos, o que os torna potenciais alvo de vários problemas.
Os 13 anos são a idade média em que os jovens começam a beber álcool e, se o consumirem frequentemente até à maioridade, o risco de dependência aumenta em 50%, avisou um especialista português.
O hepatologista Rui Tato Marinho tem desenvolvido desde o início do ano lectivo um projecto-piloto de sensibilização de jovens para os perigos do consumo do álcool, mostrando que o retrato-tipo do trabalhador rural como alcoólico se alterou em Portugal.
«O tipo de alcoolismo actual é mais grave. Há fenómenos como o binge drinking – beber muito num curto período de tempo principalmente ao fim-de-semana – e ao qual surgem associados a violência, os acidentes rodoviários e o sexo desprotegido com desconhecidos.
A própria Organização Mundial de Saúde aponta o consumo excessivo de álcool como factor de risco para a infecção da sida», sublinhou. «Temos de pensar por que é que temos quatro vezes mais infecções de sida do que a Espanha. Talvez estes comportamentos dos jovens sejam parte da explicação», avançou, lembrando que o consumo de 10 shots equivale a três litros de cerveja.
O presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado comentou ainda que o consumo de shots «dá maiores lucros económicos e faz parte de uma teia de interesses que faz mal à saúde».
O cenário de uma cirrose também pode tornar-se real a longo prazo (10 a 20 anos) e deve afectar entre 10 e 15% dos praticantes do binge drinking.
Toxicodependência
A toxicodependência é um fenómeno que, de forma dramática tem marcado os últimos cinquenta anos. A dependência decorre dos efeitos de uma substância sobre o organismo, o que vai provocar uma vontade irresistível de voltar a consumir. As dependências física e psicológica andam habitualmente associadas. Uma vez instalado o hábito de consumir determinada substância, torna-se difícil abandoná-lo definitivamente. É um problema que não acontece só aos outros. A prevenção é a grande aposta para evitar que te confrontes com este problema. A primeira e melhor forma de prevenir é conversar com as pessoas que te rodeiam, os pais são muitas vezes os primeiros agentes de prevenção do consumo de drogas. São os pais que, melhor do que ninguém, conhecem os seus filhos e os podem ajudar. Além disso, maioritariamente os pais são os primeiros modelos, os exemplos a seguir pelos mais novos. São várias as causas que podem levar à toxicodependência. Estudos recentes apontam os factores fundamentais a curiosidade e o gosto do risco, próprios da adolescência e juventude. Outras vezes é a pressão dos amigos que vêem no consumo de drogas uma forma de se afirmar e de ser adulto. A prevenção não termina com a adolescência. A prevenção faz-se todos os dias. A prevenção começa no diálogo com os teus pais, os teus amigos, o teu parceiro(a), os teus colegas, os teus professores…
Tabagismo
Tabagismo significa abuso de tabaco. É o vício de fumar regularmente um número considerável de cigarros, cigarrilhas, charutos ou tabaco de cachimbo. Fumar predispõe para o cancro do pulmão e outros, bronquite e enfisema pulmonar, úlcera gastro-duodenal, doenças cardio-vasculares e acidentes vasculares cerebrais. As mulheres fumadoras grávidas podem prejudicar o desenvolvimento e a viabilidade do feto. Os fumadores também prejudicam a saúde dos não fumadores junto de quem vivem, que acabam por ser fumadores contra vontade (“fumadores passivos”).
Efeitos do tabaco no ser humano
* No aparelho respiratório, 90% dos cancros são devidos ao tabaco.
* No aparelho circulatório, a angina de peito, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial e o acidente vascular cerebral são algumas das doenças mais frequentes.
* Na área oto-rino-laringológica, 65% dos cancros da boca são devidos ao tabaco bem como a diminuição do olfacto e tendência para rouquidão.
* No aparelho urinário, o tabaco pode provocar cancro da bexiga.
* Ao nível sanguíneo, provoca alterações da coagulação.
* Na mulher, o tabaco aumenta o risco de cancro do colo do útero e em combinação com a toma da pílula contraceptiva, aumenta o risco de trombose venosa.
* No recém-nascido, o tabagismo da mãe aumenta o risco de malformações, parto prematuro, baixo peso ao nascer e síndrome da morte súbita.
Calcula-se que cerca de dois milhões e meio de pessoas morrem anualmente em todo o mundo, devido ao tabaco. Por isso, a Organização Mundial de Saúde propõe a luta, por todos os meios, contra esta autêntica epidemia dos tempos modernos.
Tratamento
O PROJECTO VIDA é o programa nacional de combate à droga. Promove:
* a prevenção do consumo de drogas;
* o tratamento e reinserção social dos toxicodependentes;
* o combate ao tráfego de drogas.
A Linha Vida, integrada no Projecto Vida, é um serviço telefónico, gratuito e confidencial, à tua disposição para te informar e aconselhar sobre problemas de toxicodependência. Funciona de 2ª a 6ª feira, das 10h às 24h, pelo tel. 1414. O PROJECTO VIDA também tem, para quem deseja aconselhar-se por escrito, o e-mail linhavida.lx@ipdt.pt ou o site www.projectovida.pt (clicar em “contacto”). Existem muitas outras instituições vocacionadas para a prevenção e tratamento da toxicodependência. Se tens problemas neste domínio:
* fala com os pais;
* fala com o teu namorado(a);
* fala com o teu director de turma, se estiveres a frequentar a escola;
* consulta o teu médico de família;
* procura um Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT);
* procura uma ajuda especializada: um psicólogo ou um psiquiatra.
Em Portugal existe o Conselho de Prevenção do Tabagismo, situado na Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 844 60 55 e o fax 21 846 42 12. É um órgão de consulta e acção pedagógica dependente do Ministério da Saúde. Compete-lhe a intervenção junto de entidades públicas ou privadas no âmbito do planeamento, coordenação e dinamização das acções de luta contra o tabagismo, colaborando estreitamente com organismos internacionais.
A Coligação das ONG Portuguesas de Prevenção do Tabagismo (privado), Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 8464219 e o fax 21 8464212; e-mail: luis.reis.lopes@mail.telepac.pt.
O Gabinete de Dependência Química (privado), na Rua Epifânio Dias, 44, CP-1700-161 Lisboa, tel 21 842 16 70 e o fax 21 842 16 79; e-mail: gdq@mail.telepac.pt.
As doenças causadas pelo consumo exagerado e prolongado do tabaco – incluindo a intoxicação tabágica – são tratadas nos centros de saúde, hospitais e clínicas (públicos e privados) de todo o país. O melhor mesmo é tentares a desabituação, para deixares definitivamente de fumar!
Alcoolismo
Álcool, Geral Março 28th, 2008
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A Toxicodependência!
Drogas em geral, Prevenção, Toxicodependência Março 27th, 2008
As drogas ilícitas mais consumidas pelos portugueses são o haxixe, a heroína, a cocaína e o ecstasy.
Haxixe: é uma pasta de resina obtida a partir do cânhamo. Tem cor castanha e é vendida sob forma de placas “chocolate”.
Cocaína: obtida a partir das folhas da coca. Tem cor branca e é vendida sobre forma de pó, “Branca”.
Heroína: Obtida a partir do ópio. Tem cor castanha acinzentada e é vendida sob forma de pó, “Brown”.
Ecstasy: são comprimidos de anfetaminas vendidas em algumas discotecas.
As drogas lícitas mais consumidas pelos portuguesas são: o álcool, as benzodiazefinas e a nicotina.
Em relação às toxicodepêndencias é fundamental conhecer vários conceitos:
Adição: caso particular da dependência caracterizada pela compulsão para consumir determinada substância.
Dependência: quando a pessoa pára com o consumo duma substância tem sintomas físicos e psíquicos negativos (síndroma de privação).
Tolerância: o consumo continuado conduz ao aumento de dose da substância para a pessoa sentir o mesmo efeito.
Consumidores
É frequente a pessoa consumir mais do que uma substância. Consome preferencialmente determinado produto mas na falta deste, aprende a consumir vários que servem de substitutos.
As toxicodependências escondem por vezes doenças psíquicas ou distúrbios de personalidade. No entanto, o consumo de substâncias aditivas conduzem a estas alterações.
Há vários tipos de consumidores, o ocasional, o que abusa de substâncias e o dependente.
O primeiro consome esporadicamente, geralmente em encontros sociais. O segundo usa em quantidades excessivas a substância e o último consome para não sentir o síndroma de privação. A distinção entre estes dois últimos é, por vezes, difícil, uma pessoa que abusa de substâncias corre o risco de rapidamente se tornar dependente.
As causas que levam as pessoas a procurar o consumo de substâncias aditivas são várias.
É na adolescência que se inicia geralmente o consumo de substâncias aditivas. No entanto, alguns dependentes iniciaram a partir dos 30 anos.
As mudanças rápidas e múltiplas que ocorreram nos últimos anos do século XX alteraram alguns valores sociais. Em relação à estrutura familiar, as famílias alargadas diminuíram drasticamente, aumentando as famílias nucleares e monoparentais. Em relação ao trabalho, as exigências de entrega e de desempenho levaram os pais a entregarem os filhos a infantários, organizações de tempos livres e a escolas que são especializadas na educação das crianças. Esta situação provocou desqualificação dos pais que não tendo tempo para acompanhar os filhos (conhecê-los e darem-se a conhecer), compensam a falta de afectos e emoções com bens materiais.
Cada vez mais cedo os jovens são confrontados com a gestão lúdica e material do seu dia-a-dia. Pedem-se-lhes responsabilidades para as quais se encontram ainda mal preparados. Sem o acompanhamento do adulto para ensinar e gerir o tempo e consumo de bens materiais, podem surgir desequilíbrios e a procura de consumo do ilícito.
Sem as referências estruturantes dos pais, procuram-nas na escola. Se esta, por alheamento ou exclusão falha, aos jovens só resta:
- O isolamento.
- A televisão e/ou o computador.
- A rua.
- A entrada para um grupo marginalizado que se auto-exclui e é excluído.
Papel da Escola na Prevenção das Toxicodependências
A escola é um local onde os alunos passam a maior parte do tempo. É nela que iniciam e desenvolvem o seu processo de socialização.
As funções da escola são:
ENSINAR OU SABER-SABER, SABER-FAZER.
EDUCAR OU SABER SER.
SOCIALIZAR OU SABER ESTAR
É na escola que os jovens se preparam para a vida activa e aprendem a ser adultos, cidadãos autónomos com capacidade de realização. Aprendem a elaborar objectivos e a estabelecer prioridades nas estratégias necessárias para os atingirem.
A escola é um local de saber cognitivo, e psicomotor, nela os alunos aprendem conceitos teóricos e teórico-práticos e ganham capacidades de desempenho.
A escola não pode substituir os pais, estes são os encarregados de educação dos seus filhos. O papel da escola é complementar da função pedagógica dos Pais.
O que se pede à escola é que prepare os alunos para a sua vida socio-profissional. Ela deve estar dimensionada adequadamente para o número de alunos inseridos, deve ter um espaço de atendimento para os pais e alunos, deve estar adaptada à realidade social da comunidade onde está inserida, deve partilhar com outros parceiros institucionais e não institucionais na vida dessa comunidade. Deve aceitar e compreender as diferenças e deve estar atenta para os comportamentos de risco de alguns dos seus alunos. Aqueles que subitamente se desinteressam pelas matérias, faltam com frequência e deixam de andar com o grupo de amigos habitualmente são jovens de risco.
Os pais devem ser informados e os jovens devem ser ouvidos. Se a família é uma família desestruturada deve ser referenciada, com o seu acordo, para o Centro de Saúde onde será consultada por um médico de família. Se for necessário poderão ser pedidos outros auxílios: social, psicológico, psiquiátrico, judicial.
Todos os problemas têm solução, mas precisam ser entendidos para serem resolvidos.
A escola é uma referência cultural da comunidade. A globalização, as facilidades dos meios de comunicação, só vieram alterar alguns valores que aparentemente a desqualificaram.
A rapidez e a facilidade do saber pelos meios informáticos não substituem a escola na sua função pedagógica fundamental. Saber saber não chega é preciso saber gerir o saber, e aprender a utilizá-lo para saber fazer. É preciso aprender a comunicar para saber estar.
A escola deve promover a formação dos seus funcionários, porque a evidência demonstra que a formação melhora o desempenho e torna-os mais satisfatórios pessoal e profissionalmente.
Desta forma a escola estará a desempenhar as suas funções e a prevenir a marginalização dos seus alunos, o abandono escolar com todas as eventuais consequências negativas, sendo as toxicodependências uma delas.
Centro de Atendimento é procurado por um milhar de toxicodependentes
Prevenção, Toxicodependência Março 27th, 2008
| 3200 pessoas com problemas de toxicodependência já passaram pelo CAT de Aveiro, desde que abriu, há 11 anos,em S. Bernardo |
José C. Maximino, Nuno Alegria
O Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT) de Aveiro já atendeu quase 3200 indivíduos, homens e mulheres, sobretudo jovens, mais ou menos dependente do consumo de drogas, desde que abriu as portas, em 1995, em instalações do antigo Centro de Saúde Mental de Aveiro, em S. Bernardo. Actualmente, estão a ser acompanhados 920 pacientes. Um número ligeiramente inferior aos dos últimos anos 1043 em 2004, 980 em 2003.
Venda travada na véspera
Poucos dias depois da data em que as instalações do antigo Centro de Saúde Mental de S. Bernardo, incluindo o edifício do CAT, estiveram para ser vendidas em hasta pública (a praça, marcada para quinta-feira passada, acabou por ser anulada, à última hora, na sequência de diligências do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), junto da Direcção-Geral do Património), o JN esteve meio dia no CAT. E testemunhou uma grande preocupação quanto ao futuro da instituição e daqueles que a procuram, em busca de ajuda especializada, em caso de venda. Criado em 1995, o CAT de Aveiro cobre, actualmente, 12 municípios do distrito Ovar, Estarreja, Murtosa, Águeda, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro, Ílhavo, Vagos, Oliveira do Bairro, Anadia e Mealhada. Os outros sete, situados mais a norte, são, agora, cobertos pelo CAT de Santa Maria da Feira, criado há cerca de quatro anos. Apesar disso, ainda há pacientes desses municípios, caso de Espinho, que por causa dos transportes (comboio) preferem continuar a fazer tratamento em Aveiro. Para responder às necessidades dos actuais 920 utentes, o CAT de Aveiro conta com uma equipa de oito médicos , seis enfermeiros, cinco psicólogos, cinco técnicos de serviço social, três de secretariado e dois auxiliares.
No universo dos utentes que estão, presentemente, a ser acompanhados, 2,5% consumiam drogas injectáveis, 4,6% são portadores de sida, 12,5% de hepatite B e o maior número, 54%, tem hepatite E (associada à partilha de seringas e práticas sexuais não protegidas), 297 fazem tratamento de substituição com metadona e 180 com buprenorfina (vulgo “Subutex”) .
Embora não seja rigoroso estabelecer uma relação directa entre a procura de ajuda médica e o consumo de drogas, os números apontam tendências, permitem construir percepções.
” Temos a ideia de que o consumo de heroína está estabilizado”, diz o director do CAT de Aveiro, Rocha Almeida. “Outra percepção diz-nos que já não há consumidores só de heroína e que o policonsumo (de álcool, haxixe, cocaína, ácidos e pastilhas) está em alta. Tem aumentado de maneira significativa ( a cocaína até já está mais barata do que a heroína) e começa a aparecer em estratos cada vez mais jovens”, diz o médico.
Projecto Praça do Peixe
O aumento do consumo de drogas associado ao álcool levou o CAT a desenhar um projecto de intervenção de rua, na noite aveirense. O programa está a ser desenvolvido através de uma parceria que, além do CAT, envolverá a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia da Vera Cruz, a Universidade, a Associação Académica e os próprios bares. A Praça do Peixe será o espaço de intervenção privilegiado dos diversos agentes, tendencialmente pessoas jovens, que vão começar a receber formação já este mês. “Associado ao álcool, o consumo de drogas é extremamente problemático. As bebidas alcoólicas concentradas estão na moda, induzindo ao consumo exagerado de outras substâncias, às vezes adulteradas. “Vamos mostrar-lhes, através de coisas simples, algumas tiradas da Internet, o estado em que se encontram e a “qualidade” das drogas”, diz Rocha Almeida, sublinhando tratar-se de um projecto no âmbito da política de redução de riscos.

