Tráfico de drogas: SEF deteve croata no aeroporto do Porto com mandado de detenção internacional
Drogas em geral, Notícias Junho 21st, 2008
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, um cidadão croata com Mandado de Captura Internacional (MCI) por suspeita de tráfico de droga, disse à Lusa fonte policial.
A fonte adiantou que o homem foi detido em 14 de Junho, quando embarcava para Caracas, Venezuela, por ter pendente um MCI, emitido pela Alemanha a 02 de Abril, para efeito de extradição.
O MCI fundamenta-se na prática dos crimes de associação criminosa e de tráfico de estupefacientes, em grandes quantidades, com pena máxima aplicável de 15 anos de prisão, pela prática de crimes puníveis na Alemanha e na América do Sul.
O detido, que alegadamente pertence a uma rede de narcotráfico que opera a partir da Colômbia e da Venezuela, foi conduzido ao Tribunal da Relação do Porto, tendo sido decretada a sua prisão preventiva.
Fonte: JN
Droga/Escolas: Violência e abandono podem estar relacionados com “charros” mais fortes – Manuel Pinto Coelho
Drogas em geral Junho 20th, 2008
A violência nas escolas e o alto nível de abandono escolar em Portugal podem estar relacionados com o consumo de “charros” mais fortes, devido ao maior índice do princípio activo da canabis, segundo o presidente da Associação Portugal Livre das Drogas.
Em declarações à Agência Lusa, Manuel Pinto Coelho referiu que actualmente se encontra entre cinco a 25 por cento de tetrahidrocanabinol (THC) nos denominados “charros”, enquanto anteriormente a percentagem do princípio activo da canabis rondava os dois a três por cento. Por isso, o responsável garante não fazer sentido a diferenciação entre drogas duras e leves.
O presidente da Arisco, Instituição para a Promoção Social e da Saúde, Lúcio Santos, concorda com a definição de que “drogas são drogas” e nesta definição devem ser incluídos ainda “consumos descontrolados” de álcool e tabaco.
O psicólogo, que já integrou um projecto de prevenção nomeadamente da toxicodependência em várias escolas, garantiu ainda que problemas como a violência ou o abandono escolares têm que ser explicados sempre por “conjugação de factores”, que podem ir desde a esfera familiar até à social.
“Nas situações relatadas pelos professores e outros profissionais das escolas, muitas das situações nem sequer estão relacionadas com o consumo de haxixe”, notou Lúcio Santos, para quem é também importante analisar os consumos como consequências e não apenas como origem dos problemas.
O médico Manuel Pinto Coelho referiu, por seu lado, que a concentração maior de THC deve-se a métodos de biotecnologia e mutações genéticas.
“Mais de metade dos estudantes do secundário e universitário consome drogas leves, embora essa distinção já não faça sentido porque as drogas são todas duras, segundo as determinações das Nações Unidas. A agressividade nas escolas pode estar relacionada com esse consumo de cigarros de canabis, que chegam a ter 10 vezes mais THC que anteriormente”, alertou.
Segundo Pinto Coelho, mais THC provoca mais “agressividade e um síndrome amotivacional, que passa pela apatia, indolência, o que leva à desmotivação, maior dificuldade em reter os conhecimentos e a uma repercussão no rendimento escolar”.
“Portugal é recordista europeu no abandono escolar”, com 38 por cento, enquanto a taxa europeia é de 14 por cento”, referiu a mesma fonte, acrescentando que um estudo publicado no ano passado na revista científica Lancet registou um aumento de tratamentos hospitalares de esquizofrenia e psicoses relacionado com o consumo de canabis.
O presidente da Arisco questionou ainda qual pode ser o peso da adulteração das drogas nos comportamentos amotivacionais e promotores de violência.
Recuperando a ideia já defendida de usar “kits” de detecção de drogas nas escolas, Pinto Coelho defendeu terem uma “dupla vantagem”: “óptimo pretexto para os jovens recusarem fumar um charro sem serem vistos como ‘caretas’ e serve para detectar de forma precoce a toxicodependência e encaminhar os casos para tratamento”.
Já Lúcio Santos teme efeitos perversos da medida, que podem passar por uma “promoção do absentismo” para evitarem serem testados e encontrar formas para “adulterar os resultados”.
“O argumento para o consumo também deve vir de dentro e não de fora. Por isso, a prevenção deve ser feita em linha com o desenvolvimento individual, familiar e social”, afirmou.
Efeitos de drogas na aprendizagem
Drogas em geral Junho 19th, 2008
Uma equipa de investigadores franceses provou os efeitos do consumo de substâncias viciantes em alguns mecanismos de aprendizagem nos ratos, num estudo publicado no sítio da Internet da revista “Nature”.
Pesquisas anteriores tinham estabelecido que as substâncias que conduzem a uma dependência exercem os seus efeitos viciantes através da libertação no cérebro de uma molécula, a dopamina como uma “recompensa”, após uma acção considerada positiva. O cérebro reage então com uma tentativa de “reproduzir as condutas” permitindo a obtenção de dopamina, o que aumenta a motivação do indivíduo.
A equipa de Jean-Antoine Girault, do Instituto Nacional de Saúde e de Investigação Médica, concentrou-se nos mecanismos moleculares ligados à proteína, a DARPP-32, que, activada pela dopamina, se acumula num núcleo dos neurónios na região do cérebro chamada ‘striatum’. Uma tal acumulação foi igualmente observada em ratos de laboratório que aprenderam a passar o focinho num buraco para obter alimentos.
Os investigadores analisaram os resultados obtidos com ratos normais e ratos com as proteínas DARPP-32 funcionalmente desactivadas. Num primeiro momento, notaram que os ratos “alterados” são menos sensíveis às drogas injectadas (cocaína, morfina), provando o papel da proteína no mecanismo de viciação.
A mutação da proteína conduz também a uma quebra da motivação dos ratos para obter comida, provando o papel da DARPP-31 nos mecanismos de aprendizagem e motivação.
O estudo permite compreender melhor os mecanismos normais de aprendizagem e os “desvios” provocados pelas substâncias viciantes e abre uma nova via de pesquisa no tratamento da dependência e de algumas doenças que envolvem a dopamina, como a de Parkinson, segundo uma nota de imprensa daquele instituto francês.
Guiné-Bissau: Missão da UE com projecto de apoio à luta contra tráfico de droga
Drogas em geral Junho 19th, 2008
Uma missão de peritos dos estados-membros da União Europeia está na Guiné-Bissau para programar um projecto de apoio à luta contra o tráfico de droga, disse hoje à Agência Lusa o representante da Comissão Europeia em Bissau, Franco Nulli.
“Há uma missão de peritos dos estados-membros da UE que veio à Guiné-Bissau no quadro de uma série de visitas a alguns países da África Ocidental com o objectivo de programar um projecto de apoio à luta contra o tráfico de droga”, afirmou o embaixador italiano.
“Esse programa será financiado pelo instrumento de estabilidade, que é um instrumento da União Europeia, e que prevê identificar um programa de luta contra o tráfico de cocaína que vai da América-Latina através de África para a Europa”, sublinhou Franco Nulli.
Segundo o representante da Comissão Europeia, aqueles peritos vão estar em Bissau até quarta-feira e manter uma série de encontros com as autoridades guineenses para identificar “acções concretas que poderão ser financiadas através de recursos do instrumento de estabilidade e no quadro do plano de luta contra o tráfico de droga”.
Franco Nulli sublinhou que esta missão pretende “identificar acções concretas” e adiantou que se realiza uma outra em Setembro, prevendo-se que o plano de apoio à luta contra o tráfico de droga possa vigorar no período 2009-2011.
Questionado sobre se esta missão está relacionada com a Conferência de Lisboa, realizada em Dezembro, e que visou essencialmente apelar à comunidade internacional para ajudar a Guiné-Bissau a combater o tráfico de droga, Franco Nulli disse que não está directamente relacionada, mas que os trabalhos dos peritos se vão enquadrar no Plano Nacional de Luta Contra o Tráfico de Droga.
“Não está directamente relacionada com a conferência de Lisboa porque esta programação ocorre vários meses depois, mas é claro que o trabalho dos peritos se vai enquadrar no Plano Nacional de Luta Contra o Tráfico de Droga”, disse.
“Esse plano (o do Governo da Guiné-Bissau) vai cobrir três anos, o financiamento das actividades para o primeiro ano já está garantido, sendo entregues quarta-feira dois milhões de euros à UNODC, nomeadamente a criação de uma força de elite na polícia judiciária para combater o tráfico de droga”, sublinhou.
Segundo o responsável, resta agora assegurar o financiamento para o segundo e terceiro anos.
A Guiné-Bissau tem sido referenciada em vários relatórios de organizações internacionais como “placa giratória” da entrada da cocaína proveniente da América Latina na Europa.
As autoridades guineenses têm alegado falta de meios para combater o narcotráfico, tendo desde 2006 apenas apreendido pouco mais de uma tonelada de cocaína.

