70% dos sem-abrigo têm problemas com as drogas
Alcoolismo, Bebida alcoólica, Cannabis, Cocaína, Cogumelos e Plantas Alucinógeno, Drogas em geral, Ecstasy, Heroína, Maconha ou Marijuana, Notícias, Saúde, Sociedade, Toxicodependência, Toxicomania, Álcool Dezembro 19th, 2009

Lisboa contabiliza 1680 sem abrigo, para quem a Comunidade Vida e Paz organiza Festa de Natal, até domingo. Maioria chega a esta situação devido a problemas de droga e álcool. Desemprego e doenças mentais são outras causas.
“Degradei-me na droga.” As palavras são de António, 55 anos, que há 18 anos ocupava um cargo de relevo numa empresa sediada em Lisboa. “Cheguei a viver num hotel em Paris”, explica. Devido ao consumo excessivo de cocaína António perdeu a família, a empresa e toda a vida estável que tinha.
Durante 12 anos viveu nas ruas de Lisboa. Hoje, volvidos seis, António tirou um curso técnico profissional de Informática e Belas Artes e ainda recorre à Comunidade Vida e Paz para fazer terapia com o psicólogo do centro. Desde ontem e até Domingo, esta comunidade – com 550 voluntários que todos os dias têm distribuído 950 sandes e 200 litros de leite – organiza o 21º Natal na cantina da Universidade de Lisboa.
No total, são 1.680 os sem abrigo que dormem nas ruas frias de Lisboa. “A maioria – 70% – chegou aqui devido a problemas com droga”, explica Jorge Santos, director da instituição sem fins lucrativos. “E cerca de 20% devido ao álcool. Os restantes são por problemas mentais ou mesmo situações de desemprego”.
Fritz, professor alemão que viveu muitos anos em Hamburgo, na Alemanha, chegou a Lisboa e acabou por ter nas ruas de Lisboa o seu hotel. A razão? Um amor intenso por uma norte- americana, que acabou por seguir outro rumo e casar com outro homem, e que originou uma depressão profunda no professor universitário. A maioria dos sem abrigo estão na faixa dos 40 anos e são homens.”Se bem que existem muitos casos de jovens toxicodependentes dos 25/35 anos a dormirem nas ruas”, explica Jorge Santos. “E um ou outro caso de mulheres, mas é menos comum porque infelizmente têm a possibilidade da prostituição”, concluiu. Ou o caso de Maria, de 30 anos, vítima de maus tratos, que actualmente vive na rua para fugir ao marido.
A instituição sem fins lucrativos apoia por dia cerca de 900 sem-abrigo e famílias carenciadas.
Fonte: DN


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