Controlo ‘antidoping’ chega ao golfe
Dopagem, Doping, Drogas em geral, Exames de caracter toxicológico, Geral, Saúde Maio 31st, 2008

A dada altura, um sujeito com cara de duro, que por três vezes caçou ursos no Alasca e visitou tropas norte-americanas estacionadas na Coreia e em Guantanamo (Cuba), virou-se para a plateia e disparou como se desse uma “drivada” de 300 metros: “Se algum desses tipos vier a minha casa recolher uma amostra sem mandato judicial, será muito difícil escapar-se da minha propriedade sem um chumbo no traseiro.”
Não é difícil de imaginar a reacção dos restantes jogadores na sala à manifestação de testosterona de Frank Lickliter II, o autor daquela declaração. Foi o ponto alto da reunião, mas os enxovalhados consultores do PGA Tour para o programa de controlo antidoping poderão ser os últimos a rir. Se Lickliter II, que não ganhou mais do que dois torneios do PGA Tour na sua carreira e nunca entrou no top 100 do ranking mundial, levar à letra a sua ameaça, arriscar-se-á, daqui a uns meses, a uma suspensão de um ano por recusar a análise. Durante décadas, o golfe desdenhou de outras modalidades desportivas e escusou-se a acolher os controlos antidoping no seu seio. “Não vemos razão para fazer testes. O golfe é limpo”, dizia em 2006 Tim Finchem, o comissário do PGA Tour, espécie de presidente executivo do circuito profissional americano. “Seguir as normas olímpicas não é uma atitude realista no golfe moderno, porque não temos esse problema no golfe”, acrescentava no mesmo ano George O’Grady, o homólogo de Finchem no European Tour, o circuito profissional europeu.
Em muito pouco tempo, ambos viram-se forçados a mudar de opinião e no final do ano passado uma alargada cimeira entre o PGA Tour, European Tour, LPGA Tour, PGA of America, USGA, Royal & Ancient Golf Club of St. Andrews e o Augusta National Golf Club proclamaram irreversível a instauração de uma política antidoping no golfe.
O LPGA Tour, o circuito feminino americano, foi o primeiro circuito profissional a iniciar os testes, logo em Fevereiro. Em Julho, entrarão em vigor os controlos no European Tour e no PGA Tour. A partir desse momento, os torneios do Grand Slam, masculinos e femininos, passarão a acatar todas as deliberações tomadas pelos circuitos profissionais – ou seja, jogadores penaliza- dos com suspensões por análises positivas também não poderão actuar nos majors – e, mais tarde ou mais cedo, outras entidades apanharão o comboio.
Tim Finchem, talvez a figura mais poderosa do golfe mundial, teve de assinar, mas não se conforma. Num desabafo a um jornalista da Associated Press confessou: “Isto contraria tanto tudo aquilo que é o golfe.”
O comissário do PGA Tour referia–se ao ancestral código de honra sagrado de uma modalidade multissecular em que a palavra é lei e na qual os jogadores se acusam no campo das violações cometidas por eles próprios a fim de serem penalizados, só chamando os árbitros em última instância. Mas esse é o golfe que já pouco existe.
Poderemos falar em cavalheirismo quando a esmagadora maioria dos amadores estabelece como objectivo primeiro ganhar torneios em vez de visar, sobretudo, baixar de handicap como nos tempos nobres? Faz sentido apelar a um código de honra quando a Federação Portuguesa de Golfe (FPG) se vê inundada de processos judiciais e alguns dos seus dirigentes submetidos a termo de identidade e residência porque jogadores contestam em tribunal decisões disciplinares federativas?
A democratização do golfe trouxe uma nova realidade à modalidade. Ganhar é agora a prioridade, tanto entre amadores como profissionais. Filipe Lima, o único profissional português membro do European Tour, não tem dúvidas: “É claro que está mais do que na altura de se fazer controlo antidoping no golfe. Já deveria ter sido feito antes. É um dos desportos que mais dinheiro movimenta e onde há dinheiro há batota.”
Gary Player, o septuagenário sul–africano que conquistou nove títulos do Grand Slam, foi ainda mais incisivo no British Open do ano passado: “Sei que há golfistas dopados! Seja com substâncias como a creatina ou com esteróides. É um facto que alguns fazem-no. Um deles disse-me e vi logo alterações visíveis nele. Há, pelo menos, uma dezena de tipos que toma alguma coisa. E o pior é que há médicos que apoiam. Nos últimos cinco anos falei com nove médicos e todos aconselharam-me a tomar algo. Chegaram mesmo a informar-me que ficaria mais forte, a pele mais compacta e até o cabelo mais espesso. Seria capaz de jogar a bola uns 20 metros mais longe.” Filipe Lima também sabe de casos: “Há jogadores que já me disseram que tomaram substâncias para recuperar. É doping. Não acho normal que os outros possam recuperar mais rapidamente do que eu só porque ingerem coisas. Eu nunca tomei nada. Só vinho. Não é justo.”
Está na hora de se tirarem as dúvidas e até aqueles que insistem nas virtudes imaculadas do golfe, apesar de todas as evidências em contrário, reconhecem a necessidade de prová-lo com actos e não com meras palavras.
Manuel Agrellos, o presidente da FPG, antigo presidente da PGA da Europa e da Associação Europeia de Golfe, escreveu num editorial da revista Golf Digest Portugal, que dirige: “Acredito que o golfe é um desporto limpo, ou que, pelo menos, está entre os mais limpos. Mas também considero que não pode ficar eternamente afastado desta matéria tão em voga e escandalosa nos tempos que correm. Se nas outras modalidades se faz controlo antidoping, o golfe não deve fugir à regra, até porque os prémios atribuídos nas mais importantes provas profissionais são os mais altos do desporto e atingem com frequência o milhão de dólares.”
Dick Pound, o presidente da Agência Mundial de Antidopagem (WADA), insiste que “o que a introdução de testes no golfe irá fazer, é deter aqueles que estão a considerar o uso de drogas e assustar os que já recorrem a elas. No futuro, o problema tenderá a desaparecer”. Padraig Harrington, o pacato irlandês que foi segundo classificado no Open de Portugal de 2001 e ganhou o seu primeiro torneio do Grand Slam no British Open do ano passado, resigna-se aos ventos turbulentos que passam e olha mais para a calmaria do futuro: “A transição será sempre difícil, mas em dez anos, quando o golfe for dominado por uma nova geração de jogadores, nem pensaremos duas vezes sobre este assunto.”|
Fonte: DN
Testes para detecção de drogas – Sabes o que são?
Exames de caracter toxicológico Dezembro 20th, 2007
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Algumas questões sobre os testes para detecção de substâncias no organismo. |
O que são os testes?
As análises/testes para detectar o consumo de drogas são análises específicas de detecção das diferentes drogas.
Não é possível ser detectado o consumo de uma droga através dos exames/análises de rotina ao sangue e à urina (aquelas que fazes de tempos a tempos para saber se está tudo ok)
Que tipo de análises existem?
Existem análises ao sangue, à urina, ao cabelo (só para investigação), ao suor e à saliva. No entanto os mais utilizados são os testes à urina, que podem ser realizados em laboratório ou através de um kit comprado em qualquer farmácia (vê imagem!).
Quais os factores que podem influenciar os resultados dos testes?
A possibilidade de detecção de substâncias no organismo vai depender de vários factores, entre os quais:
- Características da substância consumida (quantidade e a qualidade);
- Características do indivíduo (peso, altura, género, capacidade de metabolização da substância no organismo, humor, etc.);
- Características do consumo (frequência de consumo, circunstâncias do consumo, etc.);
- Método de detecção utilizado (teste à urina, sangue, cabelo, saliva ou suor).
Período de detecção
Na tabela seguinte apresentamos os períodos de detecção de variadas substâncias para os habituais testes à urina.
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Substância |
Na urina |
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| Álcool | 6-24 h | |
| Anfetaminas | 1-4 dias | |
| Barbitúricos | 1-21 dias | |
| Benzodiazepinas | 1-42 dias | |
| Cannabis (uso esporádico – até 4 vezes semana) | 48-72 h | |
| Cannabis (consumo habitual/diário) | Mais 12 semanas | |
| Cocaína | 4-5 dias | |
| Codeína/Morfina | 2-4 dias | |
| Cogumelos | 1-3 dias | |
| Ecstasy | 1-3 dias; 3-5 dias (consumo habitual) | |
| GHB | 12-24 h | |
| Heroína | 1- 4 dias | |
| LSD | 24-72 h | |
| Ketamina | 2-4 dias |
Onde posso fazer testes para detecção de drogas?
Existem à venda nas farmácias kits para detecção de drogas na urina, nomeadamente para detecção de cannabinóides (haxixe, marijuana), cocaína e opiáceos (heroína). Estes testes custam aproximadamente 5 euros.
Voltamos a referir a variabilidade existente em relação aos resultados apresentados por estes testes face à existência de diversas condicionantes (características do indivíduo, consumo e da substância).
No meu local de trabalho, podem pedir-me para realizar os testes?
Nos dias de hoje, existem algumas instituições que solicitam a realização de testes para detecção de drogas, inclusive esta situação pode estar contemplada no contrato de trabalho. Contudo, a pessoa deve ser sempre informada sobre o tipo de análises que lhe irão ser efectuadas.
Posso tomar alguma coisa para a droga não ser detectada nos testes?
Não existem informações científicas nesse sentido.
A droga não permanece para sempre no organismo, é eliminada. No entanto, será importante diferenciar entre a presença da substância no organismo que tem um período limitado e as suas consequências a nível físico e psicológico, podendo estas permanecerem durante mais tempo no organismo.
Quais tipos de exames toxicológicos existentes ? Eles detectam qualquer droga ? A partir de quando eles dão positivo ?
Exames de caracter toxicológico Dezembro 18th, 2007
A análise toxicológica para verificação do consumo de drogas vem sendo utilizada no meio profissional, no desporto, no auxílio e acompanhamento da recuperação de utentes em clínicas de tratamento e em pesquisas. Há testes disponíveis para a detecção de qualquer tipo de substância psicoativa (marijuana, cocaína, barbitúricos, opiáceos, anfetaminas e ecstasy).
Actualmente há três tipos de exames capazes de detectar a presença de drogas no organismo:
EXAME DE URINA
As drogas são geralmente destruídas (metabolizadas) pelo fígado e eliminadas pela urina. Portanto, analisar a urina em busca de metabólitos das drogas é um dos métodos para se detectar a presença do consumo de drogas. A urina é geralmente aceita como amostra para verificar o uso recente de drogas de abuso, mas não permite distinguir o utilizador ocasional do abusivo ou do dependente.
O período de duração da detectabilidade das drogas varia de acordo com a frequência e intensidade do uso das mesmas. Este período pode variar de poucas horas até 27 dias (ver tabela abaixo). A análise de amostras de urina podem detectar o consumo de marijuana e de cocaína em períodos mais longos. Já o álcool é metabolizado e eliminado rapidamente e os exames toxicológicos detectam somente o uso feito nas últimas horas.
A exacta concentração da droga ou de seu metabólito presente na urina não pode ser estimada; oferecendo um resultado preliminar. A quantificação da droga é realizada, quando solicitada, por metodologia específica em centros especializados. Portanto, a interpretação do resultado desta triagem deve ser submetida à consideração clínica e ao julgamento profissional do médico. Ainda, as concentrações de detecção do método seguem as recomendações da “Substance Abuse and Mental Health Services Administration” SAMHSA, EEUU. .
DURAÇÃO DA DETECTABILIDADE DAS DROGAS DE ABUSO NA URINA:
Substância | Duração da Detectabilidade
Anfetamina | 48 horas
Metanfetamina | 48 horas
Barbitúricos:
Ação curta 24 horas
Ação Intermediária de 48 a 72 horas
Ação Prolongada 7 dias ou mais
Benzodiazepínicos 3 dias (dose terapêutica)
Metabólitos da Cocaína de 2 a 3 dias
Metadona 3 dias aproximadamente
Codeína / Morfina 48 horas
Canabinóides (marijuana):
Uso Único 3 dias
Uso Moderado 4 dias
Uso Intenso (diário) 10 dias
Uso Crônico de 21 a 27 dias
Metaquoalona 7 dias ou mais
Feniciclidina (PCP) 8 dias apoximadamente
Journal of the American Medical Association´s Council on Scientific Affairs, 1987, pp. 3, 112
EXAME DE SANGUE
Pesquisa directa da droga no sangue. O exame de sangue possibilita apenas verificar o uso recente de substâncias (algumas horas). Este exame é realizado em centros especializados.
TESTE DO CABELO
A análise de amostras do cabelo ainda não é considerada válida por ter sua eficácia e utilidade sendo discutida no meio cientifico. Portanto, a credibilidade deste tipo de teste precisa de mais estudos.
O cabelo cresce cerca de um centímetro por mês. A base do fio está dentro do couro cabeludo e é ricamente irrigada pelo sangue. Quando alguém usa uma droga, parte da substância é absorvida pelo sangue que irriga o couro cabeludo e se deposita no cabelo. Quando ele cresce, leva a droga acumulada consigo. Com isso, o teste do cabelo seria capaz de detectar o consumo de drogas por vários meses (cada centímetro de cabelo seria um mês de uso).
É importante salientar que os teste de detecção de drogas só podem ser realizados após autorização do indivíduo por escrito ou em condições de urgência clínica. No ambiente hospitalar a triagem para drogas de abuso é realizada exclusivamente para avaliação e suporte da conduta médica, não podendo ser utilizado como subsídio para outras acções.

